Ao atender mais uma ocorrência de incêndio a residência na madrugada de ontem em Bauru, após apagar as chamas os bombeiros tiveram uma surpresa: na casa havia o corpo de uma mulher com as vísceras expostas, o que pode ser um indicativo de que ela foi morta antes do fogo. A Polícia Civil aguarda laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer se ela morreu no incêndio ou foi assassinada.
A mulher achada morta é Ivanilde Santana Silva, 41 anos, que morava numa casa de alvenaria localizada na quadra 3 da rua Domingos Plete, nos Altos da Cidade. O imóvel foi totalmente destruído pelas chamas. Há suspeita de que o fogo seja criminoso. Outro detalhe que deixou a polícia intrigada é que nos escombros, além do corpo de Ivanilde, nos destroços do guarda-roupa foram achados R$ 8,8 mil em notas em maços de R$ 50,00 e R$ 100,00 e 1,8 quilos de crack.
Ivanilde já estava sendo investigada pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) sobre seu possível envolvimento com o tráfico de drogas, mas a polícia havia perdido seu paradeiro. “Infelizmente, perdemos as pistas e não sabíamos que ela estava morando na casa que foi incendiada. Ela era investigada por pertencer a um grupo ligado ao tráfico de entorpecentes”, explica o delegado da Dise Kléber Granja.
Vizinhos
Até o início da tarde, nenhum parente da mulher havia sido localizado pela polícia, correndo o risco dela ser enterrada como indigente. Foram os vizinhos que reconheceram o corpo. Sem se identificar, um dos moradores disse que Ivanilde morava sozinha e tinha atitude suspeita. Raramente era encontrada durante o dia, mas costumava sair à noite.
“Na garagem, víamos sempre carros diferentes. Ela não fazia amizade com os vizinhos. A primeira vez que a vi foi quando ela suspeitou que tinham roubado de sua casa R$ 1 mil, mas os móveis não foram remexidos”, conta um dos moradores.
Eles comentaram também que Ivanilde tinha um namorado, mas não deram detalhes sobre quem é. Outro vizinho afirmou à polícia que, momentos antes do incêndio, uma moto estava parada nas proximidades da casa, debaixo de uma árvore, no escuro, em atitude suspeita.
O incêndio começou por volta das 2h. Seis viaturas dos bombeiros foram até o local para apagar as chamas. Os vizinhos quebraram o vidro do automóvel GM Astra que estava na garagem para arrastá-lo, evitando que se incendiasse. As investigações estão sob responsabilidade da equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
Ontem pela manhã, o delegado Ricardo Dias esteve na residência e apreendeu um caderno e uma agenda pertencentes à mulher. “Pelo que vimos, os papéis contêm apenas anotações de contas de matemática. Também levamos uma nota fiscal e correspondência supostamente em nome da vítima”, afirma.
Sobre a causa da morte, o delegado aguarda resultado do exame necroscópico. “Se ela morreu por asfixia provocada pelo incêndio ou se já estava morta, somente o exame poderá detectar”, justifica. Ele também aguarda laudo da perícia técnica sobre a causa do incêndio. Um inquérito criminal será aberto para investigação do incêndio, da morte suspeita e do tráfico de entorpecente.
____________________
Outras ocorrências
Na madrugada de ontem, Bauru teve outro incêndio em residência, na quadra 2 da rua Bernardino de Campos. Os móveis e cômodos de alvenaria foram consumidos pelas chamas, inclusive o telhado. A Polícia Técnica compareceu no local, mas a família que morava na casa não foi encontrada.
Um homem que não quis se identificar disse que os moradores não estavam mas residindo no local há quase duas semanas. Horas antes, ainda na terça-feira, os bombeiros atenderam um princípio de incêndio em uma casa do Núcleo Geisel causado por curto-circuito.