Ela vem caindo de mansinho. De repente, toma conta do quintal, cobre os carros e deixa a roupa estendida no varal imunda. Toda época de estiagem é a mesma coisa. As queimadas se alastram por inúmeros terrenos na cidade e a fuligem invade as casas dos bauruenses. A situação se agrava ainda mais com a queima da palha da cana-de-açúcar, muito praticada na região. Apesar de Bauru não ter plantações, o vento acaba trazendo a fuligem para a cidade. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) pondera sobre a causa do problema, apontando que o fogo em mato pode ser a o maior causador de fuligem em Bauru.
Já o secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Barbieri, é taxativo. “Eu entendo que a fuligem se agrava na época da produção de cana-de-açúcar. Seria muita coincidência se não fosse esse o motivo. Bauru sofre com fogo em mato e terreno desde junho, mas só agora a fuligem apareceu”, observa. Ele ainda aponta as culturas da planta em Macatuba, Pederneiras e Lençóis Paulista como o local de origem da poeira que chega a Bauru.
O JC recebeu inúmeras reclamações de leitores sobre a camada de poeira e resíduos de queimada que forram o chão de suas casas. Todos acusam a queima da palha da cana-de-açúcar. “Na terça-feira, o quintal amanheceu pretinho. Nunca vi uma coisa tão suja”, relembra o aposentado Mário da Silva, morador da Vila Monlevade. “Faz 11 anos que eu moro em Bauru e acho que essa está sendo a pior temporada”, critica.
A Polícia Ambiental ressalta que a fuligem da palha da cana depende de vários fatores para se espalhar, como intensidade e direção do vento, e aponta que moradores de bairros nos limites do município, perto de cidades da região que possuem plantações, estão mais propensos a ter o chão forrado pelo resíduo.
De acordo com a Cetesb, a fuligem é a principal causa da queda da qualidade do ar. O site da companhia aponta que em dias com baixa umidade do ar e alta concentração de poluentes, como fuligens, é comum ocorre complicações respiratórias devido ao ressecamento das mucosas, provocando sangramento pelo nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos.
Alcides Tadeu Braga, gerente da Cetesb, acredita que o principal foco da fuligem no município é a queima de mato em terrenos.
O tenente Nilson Fidelis da Silva, da Polícia Ambiental, explica que mesmo as usinas que possuem licença para efetuar a queimada devem mandar a eles o planejamento da ação. No relatório, deve ser especificado a área a ser limpa e suas coordenadas geográficas. O agricultor ainda deve manter um caminhão pipa no local, para controlar qualquer eventualidade. A Secretaria de Agricultura do município também deve ser comunicada. “E a queimada só é permitida em linha, para não causar a morte de animais”, observa.
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Terrenos
Colocar fogo em terrenos no perímetro urbano é terminantemente proibido pela Lei Orgânica Municipal e também pelo código sanitário de Bauru. A multa varia de R$ 150,00 a R$ 3 mil, por infrações detectadas pelo Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Apesar da proibição, os bombeiros registraram mais de uma dezena de focos de incêndio por dia no último mês.
De acordo com Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, diretor do CCZ, o desconhecimento da lei e também a má educação da população contribuem para os constantes focos de incêndio. “Normalmente o fogo é colocado em terrenos sujos. O proprietário foi notificado que teria que limpar o local e acaba limpando com fogo”, observa. Ele ressalta que uma das principais dificuldades é encontrar os autores da infração.