Política

Sistema manual desperdiça remédios

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Saúde vai instalar o sistema de prontuário eletrônico único na rede local para combater o desperdício na distribuição de remédios e eliminar a ocorrência de duplicidades em consultas nas unidades básicas motivadas pela mesma enfermidade.

Durante solenidade de assinatura dos contratos para a reforma e ampliação das quatro primeiras Unidades Básicas de Saúde (UBS), nesta semana, na Vila Pacífico, o prefeito Tuga Angerami (sem partido) comentou que a informatização é prioridade para agilizar procedimentos, gerar controle de gestão e oferecer o agendamento de consultas on line. “A Secretaria de Saúde detecta casos que não podem mais acontecer por causa da falta da informática como ferramenta de gestão. Tivemos o caso de um paciente na área de psiquiatria onde foi localizado em levantamento que ele acabou estocando 20 caixas de um mesmo remédio porque procurou várias unidades para ser atendido. Sem o cruzamento desses dados em rede não é possível evitar essas ocorrências”, contou.

O secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, confirmou que o processamento manual dos atendimentos é obstáculo ao controle eficaz e gera desperdício. “Em uma reunião com pediatras, eles nos relataram históricos de pacientes que tinham vários frascos do mesmo remédio, como um que chegou a retirar 19 frascos de ampeicilina. O controle eletrônico é uma ferramenta de gestão que será implementada com as unidades reformadas”, citou.

Ramos reconhece que o sistema manual de atendimento tem fragilidades que provocam utilização irracional dos recursos na área. “Não há como evitar que um paciente que foi atendido no Godoy, por exemplo, e só conseguiu agendamento para uma especialidade no dia 25 deste mês não procure outra unidade para tentar agenda mais cedo. E em alguns casos ele é atendido duas vezes, ou faz exames por mais de uma vez”, mencionou.

O remédio para essa situação é a criação do prontuário eletrônico único, segundo o titular da pasta. Ramos disse que não há estudo concluído para dimensionar o alcance do desperdício. Mas ele aponta que a demanda não é exceção. “Isso tem que ser combatido. Este é o nosso desafio. Inverter completamente a lógica do sistema atual. O paciente tem uma bursite (inflamação no ombro) e corre para o Pronto-Socorro e é atendido, mesmo gerando fila e não é para ele ir para o PS. Isso é problema ambulatorial e tem de ser resolvido na UBS”, reforça.

Distorção da rede

O secretário relata outros casos em que a falta de estrutrura nas unidades básicas gera problemas no atendimento. “Tem casos de paciente com problema de menisco (joelho) que conseguiu agendamento de seis meses para ortopedista e ele neste caso vai procurar um núcleo de saúde para atendimento mais rápido mesmo. Nosso sonho é resolver isso e ter agenda on line, consulta programada e controle, banco de dados com informações sobre estoque de remédios, as saídas e os mais procurados. Vamos implementar isso a partir de agora, com as novas unidades”, garante Ramos.

Segundo o secretário, a distorção também passa a ser combatida com a instalação de transmissão de internet via rádio em todas as unidades. “O paciente entra na unidade com suspeita de dengue por exemplo e esse sistema notifica no ato a vigilância sanitária. É ferramenta de política de saúde pública. Isso permita também distritalizar a saúde, com dados sobre incidência de doenças, epidemias por região, um mapa sistematizado de incidências através da informática”, completa.

A informatização da rede municipal de saúde e a reforma de todas as unidades básicas são compromissos de campanha do prefeito Tuga Angerami.

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