Os três homens suspeitos de serem os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Bauru, presos no mês passados acusados de incendiar ônibus circulares na cidade durante a segunda onda de ataques atribuídos à facção criminosa, ficarão nos presídios até o julgamento. Em menos de um mês, a Polícia Civil concluiu o inquérito e pediu a condenação dos três já presos e de um outro rapaz que está foragido. A Justiça acolheu a denúncia e decretou a prisão preventiva dos quatro.
Além de Fabiano de Oliveira Tomaz, Alan Carlos da Silva e Jeferson Santana de Oliveira, detidos em ação conjunta das polícias Civil e Militar no dia 15 do mês passado em um campo de futebol próximo a Guaianás, está com a prisão preventiva decretada Ronaldo Calado Mendonça, 22 anos, que está foragido. O delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ressalta que os quatro estão sendo acusados de nove incêndios ocorridos em Bauru em julho.
Entre eles estão os cinco ônibus circulares queimados em vários pontos de Bauru e incêndios a uma loja de conveniência de um posto de gasolina, ao prédio da Regional do Parque São Geraldo e a uma perua da prefeitura, que foi danificada. “Além disso, dos nove incêndios, os quatro também respondem por pichações que apareceram na cidade em apologia ao PCC e por formação de quadrilha. Se forem condenados, cada um poderá pegar pena mínima de 30 anos”, frisa Martins.
250 páginas
O inquérito, com cerca de 250 páginas, foi enviado ao Ministério Público (MP) pedindo a prisão preventiva dos quatro e a condenação pelos nove incêndios. O MP concordou e a Justiça decretou a prisão. Porém, ainda falta ser preso Mendonça, que tem endereço conhecido dos policiais no Jardim Araruna e Núcleo Mary Dota, mas está foragido. “Agora a polícia começa a captura deste que falta”, frisa o delegado.
Ele ressalta que a polícia de Bauru está preparada para eventuais novos atentados. “E se ocorrerem mesmo outros atentados, a nossa resposta será da mesma maneira: investigação, indiciamento e acusados presos”, afirma.
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‘Cabeça’
Extra-oficialmente, Fabiano de Oliveira Tomaz era considerado o cabeça do PCC em Bauru, Botucatu e Lençóis Paulista. Ele seria quem teria coordenado os ataques a ônibus em Bauru. Na mira da polícia, ele foi preso no dia 15 de julho em um campo de futebol perto de Guaianás.
Ele e Alan Carlos da Silva e Jeferson Santana de Oliveira teriam a incumbência de receber o “salve” (comunicado interno nas cadeias passado por líderes das facções, via “torpedo”, a outros detentos) e dar as ordens das execuções.
Na ocasião em que foram presos, negaram as acusações e não reagiram à voz de prisão.
Na mesma semana que Silva foi preso, a Polícia Militar apreendeu 400 gramas de crack numa casa alugada por ele no Jardim da Grama, que estava desabitada. A suspeita é que Silva usava a residência apenas para guardar entorpecentes.