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Beneficiados, 53 escolhem ficar presos

Por Cristiano Machado | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Presidente Prudente - Beneficiados com o direito a saída temporária, 53 presos do Centro de Ressocialização de Presidente Prudente (565 quilômetros a oeste de São Paulo) se recusaram a deixar a unidade ontem. De acordo com a direção, a decisão foi tomada em “comum acordo” entre os próprios reeducandos, como são chamados.

“Eles optaram por adiar a saída para evitar qualquer ligação com facções ou ações que supostamente devam ocorrer, como a imprensa vem propagando. É uma forma de evitar ser acusado de um atentado ou qualquer coisa do tipo”, disse o presidente da Associação de Assistência aos Encarcerados e Egressos, Eduardo Tannus, que administra a unidade em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária.

Com autorização da Vara de Execuções Criminais local, todos optaram pela saída no próximo dia 17, uma semana depois da maioria dos detentos. O centro em Presidente Prudente é considerado uma unidade diferenciada, formada por detentos de “bom comportamento”. “São pessoas que erraram, cometeram crimes, mas não participam de nenhuma facção e querem se recuperar e viver em sociedade”, disse Tannus.

Entre os presos, estão condenados por pequenos furtos, roubos, acidentes de trânsito e até homicídios. Criado em fevereiro de 2002, pode abrigar 210 presos. Segundo a direção, atualmente 160 cumprem pena nos regimes semi-aberto, fechado e provisório. A unidade recebe presos principalmente do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá. “Eles passam por uma triagem feita por psicólogos e assistentes sociais que analisam se têm ou não condições de se ressocializar.”

Liberados

Além dos 12.912 presos que cumprem pena em regime semi-aberto em todo o Estado de São Paulo e, desde anteontem, receberam da Justiça o benefício para a saída temporária do Dia dos Pais, outros 173 deverão deixar as unidades prisionais ainda hoje, totalizando 13.085 liberações.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que, das 126.654 pessoas presas ontem no Estado, em 144 prisões, cerca de 15 mil cumprem pena em regime semi-aberto. Mas a pasta não sabe informar quantos, desse total, saem às ruas para trabalhar diariamente - só podem fazer isso os que comprovam vínculo empregatício. Desde a liberação dos detentos beneficiados, nenhum caso de atentado contra as forças de segurança do Estado ou contra a ordem econômica foi registrado em São Paulo.

Ao contrário do que afirmou anteontem o comandante-geral da PM, Elizeu Eclair Teixeira Borges, a SAP informou não manter um cadastro para apontar quantos dos 113 detentos em todo o Estado que cumprem pena em regime semi-aberto e que são suspeitos de ligação com o PCC saem às ruas diariamente para trabalhar.

O setor de inteligência da PM informa ter montado um banco de dados, constituído a partir de informações passadas pela SAP, no qual 5.012 pessoas (809 delas nas ruas) são apontadas como integrantes do PCC, mas, ainda assim, a pasta afirma não ter condições de rastrear quais dos 113 que estão no semi-aberto já saem das prisões diariamente e voltam à noite. Durante dois dias, a reportagem pediu ao secretário Antonio Ferreira Pinto, da SAP, a informação. Assessores dele dizem que o dado não existe.

De acordo com Rosana Garcia, assessora de Ferreira Pinto, o responsável pelo levantamento sobre os presos apontados como sendo do PCC e que saem diariamente dos presídios é Lourival Gomes, secretário adjunto da SAP, que foi investigado sob suspeita de ter ajudado a criar a facção criminosa Comando Democrático da Liberdade (CDL), rival do PCC. A investigação foi concluída sem comprovação contra ele. Ontem, Gomes, segundo a assessora, “não podia atender a reportagem.”

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