São Paulo - Agentes penitenciários de 60% das penitenciárias do Estado de São Paulo que estariam de folga hoje e amanhã foram convocados para trabalhar durante o fim de semana, segundo informou o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp).
O motivo seria a possibilidade de ocorrer rebeliões no Estado orquestradas por lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi obtida em escutas, pelo setor de inteligência da polícia paulista. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não descartou a convocação. Informou apenas que “cabe a cada diretor verificar o número de agentes necessários para manter a segurança e a disciplina no interior de sua unidade”.
O secretário geral do Sindasp, Rozalvo José da Silva, disse que a categoria teme por uma possível série de rebeliões, pois faltam equipamentos, homens e segurança no interior das penitenciárias. “Nada do que foi falado pelo governo do Estado depois da primeira onda de ataques do PCC (em maio deste ano) ocorreu na prática”, afirmou Silva.
No dia 10 de julho, dois dias antes do início da segunda onda de violência promovida pelo PCC em São Paulo, os secretários Saulo de Castro Abreu Filho (Segurança Pública) e Antonio Ferreira Pinto (Administração Penitenciária) definiram um conjunto de medidas de segurança para funcionários do sistema prisional paulista.
Os secretários admitiram a criação de uma linha telefônica exclusiva entre funcionários da administração penitenciária e a polícia. Ferreira Pinto afirmou que os agentes receberão capacitação técnica para o uso de armas de fogo fora do ambiente de trabalho. “Não recebemos orientação sobre o uso de armas de fogo. Nada ainda”, afirmou Silva. No dia 10, foi publicado no “Diário Oficial” da União portaria que regulamenta o porte de armas de fogo pelos agentes.
A categoria passará por exames psicológicos na Polícia Federal (PF). A SAP informou, por meio de assessoria, que estuda os procedimentos necessários para iniciar os cursos e exames para liberar o uso de armas de fogo pelos agentes.