Bauru tem 225.390 eleitores e uma preocupação que aflige várias cidades: sua baixa escolaridade. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que quase 40% do eleitorado bauruense não concluíram o primeiro grau. Cerca de 89 mil eleitores estão nessas condições na cidade, sendo que 71,7 mil (31,9% dos eleitores) afirmaram ter estudado, mas não terminaram o primeiro grau, outros 13,6 mil (6%) declararam que sabem ler e escrever e 3,4 mil (1,5% do eleitorado) são analfabetos.
Apesar de alto, o número dos cidadãos aptos a votar que não concluíram o primeiro grau diminuiu, se comparado com a eleição de 2002, quando mais de 91 mil não tinham estudado até a oitava série.
Mas o número de analfabetos que deverão votar nas eleições de outubro também cresceu. Em novembro de 2002, logo após as eleições daquele ano, os eleitores analfabetos somavam 3.028; atualmente são 3.482 que não sabem ler ou escrever em Bauru. Em contrapartida, o número de eleitores com curso superior também aumentou de 12,6 mil em 2002, para 14,1 mil em 2006. Proporcionalmente, a situação de Bauru é melhor, em termos de escolaridade dos eleitores, do que se comparado com os números de todo o Estado. Dos mais de 28 milhões de eleitores de São Paulo, 47% não concluíram o primeiro grau, sendo que 3% são analfabetos e 9% declararam que só sabem ler e escrever.
O número de eleitores com curso superior também é maior em Bauru. Proporcionalmente, o município tem 6,28% do eleitorado nessas condições, contra 4,85% do Estado.
Sem influência
Para o analista político Maximiliano Martin Vicente, professor do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a escolaridade não influencia nas eleições. “Se fosse assim, a Itália não teria eleito o Berlusconi ou os Estados Unidos não teriam eleito o Bush”, exemplifica. De acordo com ele, o que falta para o eleitorado brasileiro não é a escolaridade, mas a consciência política. Vicente afirma que o estudo não se traduz em conscientização na hora de escolher o candidato certo. “Isso não está atrelado a ter ou não ter estudo. Veja o caso, por exemplo, do Lula, que estudo ele tem?”, salienta.
O professor destaca que é preciso entender o sentido da política, por que é preciso eleger alguém, o que acontece depois que se elege. “Isso tem que ficar claro. Lógico que, quanto mais escolaridade a pessoa tem, tem mais condições de entender o processo, mas não que isso garanta alguma coisa”, diz.
Risco de populismo
Por outro lado, Maximiliano Vicente ressalta que as pessoas com menor escolaridade costumam ser as beneficiadas por programas sociais dos governos, o que pode influenciar o voto dessa parcela da população. “Quem são os eleitores do Lula? Estão nas camadas mais pobres da sociedade e têm acesso a esses programas sociais”, destaca.
Segundo ele, a falta de sentido crítico dessa situação deixa margem para que esses programas se tornarem populistas. “Isso não seria aconselhável. O governo deveria fornecer, junto com os programas sociais, condições para essas pessoas consigam sair da situação em que se encontram”, ressalta.
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Maioria tem mais de 35 anos
Além do alto número de eleitores com baixa escolaridade, outro dado chama a atenção no eleitorado local. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais da metade dos eleitores (131 mil ou 58% do total) tem mais de 35 anos de idade.
O TSE divide o eleitorado por faixas de idade em todos os municípios. Em Bauru, a faixa que possui mais eleitores é de 45 a 59 anos, que são 52,4 mil (23,26%). São dez mil eleitores a mais do que o chamado “eleitorado jovem”, que compreende eleitores na faixa de 16 a 24 anos. Esses somam 42 mil cidadãos aptos a votar em outubro.