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Entrevista da Semana: Aos 14 anos, Isadora Busch é promessa do tênis feminino no País

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 6 min

Quase 50 anos depois de ver Maria Ester Bueno, considerada a maior tenista brasileira da história, bicampeã de Wimbledon em 1958 e 1959, o Brasil vê surgir uma nova esperança no esporte feminino. Com espírito vencedor característico e uma direita impecável, Isadora Busch ainda não ganhou nenhum Grand Slam (como são conhecidos os quatro maiores torneios: Wimbledon, Roland Garros, US Open e Aberto da Austrália) e nem tem idade para isso. Mas promete surpreender.

Com apenas 14 anos de idade e 68 troféus na estante, já é a número 1 do ranking nacional em sua categoria e tem tudo para fazer história no tênis brasileiro. É o que afirmam professores experientes. Ela começou na modalidade aos 6 anos por influência do pai e desde meados de 2005 Isadora está em ascensão.

A atleta vem colecionando títulos em quase todos os torneios que disputa, tanto em duplas quanto em simples. O último foi em Barueri, na academia Slice Tennis ao vencer a paulistana Marina Cernea, na final do China in Box Nacional Open.

Nos últimos meses Isadora passou mais tempo viajando participando de competições nacionais, do que em Bauru. No início do ano conheceu parte da América Latina quando disputou o circuito da Confederação Sul-Americana de Tênis, que rendeu-lhe a quinta posição no ranking sul-americano.

A bauruense realiza diariamente treinos físicos, para melhorar a agilidade e treinos técnicos com o experiente professor Roger Guedes. “Trabalhamos o jogo da Isadora. Identificamos as dificuldades e tentamos corrigir. Se continuar dedicada como é, terá um futuro brilhante pela frente”, avisa o técnico.

Em entrevista ao JC, a tenista bauruense revela que adora futebol, é são-paulina “roxa” e que evita sonhar com um futuro distante. “Prefiro pensar uma coisa de cada vez.” Ela fala também do seu principal objetivo no esporte: fazer parte da seleção brasileira no Sul-Americano juvenil por equipes.

Jornal da Cidade - Como você encara esse ritmo de viajar praticamente todas as semanas para competir? Isadora Busch - Gosto muito de viajar. A maioria dos meus amigos veio do tênis e encontro nas viagens para torneios. O maior problema é a saudade da família, mas não ligo muito para isso. Na maioria das vezes meu pai vai assistir às finais.

JC - Você está conseguindo conciliar os estudos com a vida de atleta? Isadora - Consigo. Tenho um esquema especial na escola Criarte, onde estudo. Meus amigos me passam a matéria que perdi enquanto estava viajando e os professores marcam outro dia para eu fazer a prova. Os professores entendem e ajudam.

JC - Não é sempre que você está em Bauru. Como é a sua relação com as amigas? Isadora - Daqui de Bauru tenho duas grandes amigas, mas a maioria é o pessoal que sempre encontro nos torneios.

JC - O que você gosta de fazer quando está com elas? Isadora - As de Bauru só encontro na escola, a gente conversa bastante, mas o pessoal de torneio, a gente está sempre brincando, vamos ao shopping.

JC - Quais são suas melhores amigas? Isadora - A Flávia Borges, de Campinas. Daqui de Bauru é o Gabriel, da minha escola. Tem a Vívian Pietraroia (7ª do ranking nacional), que é de Lençóis mas mora em São Paulo. Tem a Giovana, de São Paulo. Mas no momento é a Flávia.

JC - Qual sua principal adversária na luta pelo ranking? Isadora - Todas são difíceis, mas falta eu ganhar de Nataly Kurata. Apesar da Vívian Pietraroia ter um jogo muito difícil igual ao dela e ter uma força superior à minha, eu criei uma tática para ganhar dela. Mas a Nataly é muito difícil de descobrir o ponto fraco dela, ela é muito fria. Preciso estudar mais o jogo dela.

JC - Qual o seu ponto forte em quadra? Isadora - Tenho uma direita muito boa e eu também não desisto fácil do jogo. Eu nunca penso que vou perder.

JC - E o seu ponto fraco? Isadora - Acho que é a ansiedade o que mais me atrapalha.

JC - Suas melhores amigas são também suas adversárias. Como vocês lidam com isso dentro de quadra? Isadora - A gente é amiga até entrar na quadra. Com a Vívian, por exemplo, sempre fico na casa dela em São Paulo, tomamos café da manhã, vamos para o clube, fazemos aquecimento sempre juntas, mas na hora do jogo encaro como uma adversária. Cada uma lutando pelo seu objetivo.

JC - E depois do jogo, vocês conversam sobre os lances e pontos perdidos? Isadora - É claro que quem perde fica um pouco chateada, mas depois passa. A gente não conversa sobre o jogo. Não dá certo. Ficamos um pouco sem graça para falar disso, então as duas evitam.

JC - Sabemos que o seu pai te dá a maior força. Como sua mãe e seus irmãos encaram, eles querem que você seja uma tenista profissional? Isadora - Eles sempre me apoiaram e disseram que querem que eu faça o que eu gosto. O importante é não largar os estudos.

JC - Você já decidiu se quer ser uma tenista profissional? Isadora - Ainda não. Me preocupo mais com as metas de agora, não penso no futuro. Penso no máximo na temporada do ano que vem.

JC - E se resolver não ser tenista, deseja fazer faculdade de quê? Isadora - Não sei, nunca pensei nisso. JC - Quem é o seu ídolo no tênis? Isadora - Adoro o jogo da belga Justine Henin-Hardenne. Ela é a número 3 do mundo.

JC - Você sabe quem foi a melhor tenista do Brasil, bicampeã de Wimbledon? Isadora - Maria Ester Bueno?

JC - Sim, acertou. O que você acha do atual tênis brasileiro? Isadora - O tênis no Brasil não é considerado de primeiro nível como na Europa e Estados Unidos. É sempre bom ter um ídolo no esporte para motivar novos atletas. Agora estamos sem nenhum. Mas o Guga fez história no esporte. O tênis é um esporte um pouco caro, acho que poderia ter mais incentivo de empresas para patrocinar novos atletas.

JC - Qual é o seu sonho no tênis, seu principal objetivo? Isadora - Eu quero muito defender o Brasil no Sul-Americano por equipes. É como se fosse a Davis, só que juvenil. São selecionados os três melhores tenistas do país.

JC - O que gosta de fazer nas suas horas de folga em Bauru? Isadora - Gosto de ir ao cinema com minha mãe e minha irmã, ouvir música, ficar na Internet, porque posso conversar com minhas amigas que moram longe. Gosto de comer a comida da Bá (Dona Hortência, que trabalha na casa da família desde antes de Isadora nascer) e ver televisão de vez em quando. Só ligo a TV se for para assistir jogo de futebol, de tênis, clipes ou filmes.

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