A Associação dos Feirantes de Bauru, através do Programa Social Feira do Peixe, do governo federal, junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foi contemplada com um kit Feira do Peixe, que permite ao pequeno produtor comercializar seu produto fresco na feira. Ou seja, peixe mais fresco e mais barato para o consumidor, além de mais renda e autonomia para o pescador e produtor.
Composto de uma barraca desmontável, caixas isotérmicas, tanque, balcão para manuseio de pescado e vários outros equipamentos como facas para cortes, cada kit é uma estrutura completa que permite aos pescadores e produtores a comercialização do peixe diretamente ao consumidor, em feiras livres de sua região. Há dois meses, na feira da rua Gustavo Maciel, aos domingos, os consumidores já podem escolher na hora e no tanque o peixe que querem levar à mesa.
Segundo Moisés Bastos, presidente da associação, o produtor beneficiado pelo programa deve ser conveniado ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural a partir do fortalecimento da agricultura familiar, que exige que o produtor more na propriedade e dependa, exclusivamente, dessa renda. “A barraca aqui da feira vende cerca de 50 quilos de peixe em três horas de feira”, diz Bastos.
Sem a presença dos intermediários na comercialização, o pescador e o piscicultor ganham mais pelo fruto do seu trabalho e o consumidor leva um produto mais fresco e barato.
Segundo Bastos, a associação recebeu o kit por comodato durante um ano. Neste período, a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap) avaliará se a estrutura está sendo bem utilizada, o que, se confirmado, passa a ser propriedade definitiva da associação. Essa avaliação é feita por relatórios encaminhados à Conab. O projeto é desenvolvido pela Seap, do governo federal, em convênio com a Conab.
O valor do kit chega a R$ 5 mil, sendo que a utilização da banca é totalmente gratuita para o pequeno produtor, que terá que bancar somente os custos de transporte do peixe até a feira. Os kits ficam localizados em mercados públicos, feiras do peixe ou em locais autorizados pela prefeitura e vigilância sanitária local. Ele é composto por uma tenda e aparelhos, como balança eletrônica e tanques para armazenagem dos peixes. Segundo dados da Conab, o governo está investindo R$ 5 milhões no projeto. Com as feiras, o governo também espera incentivar o associativismo e cooperativismo no setor, além de ampliar o consumo nacional de pescados.
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Compras com cartão
Fazer a feira e pagar as contas com cartão de débito e crédito já é uma realidade. Através de acordo firmado com uma instituição financeira, dez feirantes da feira livre da rua Gustavo Maciel já possuem máquinas de cartão. Segundo Moisés Bastos, presidente da Associação dos Feirantes de Bauru, a proposta favoreceu a adesão ao sistema.
“Nós aderimos por dois motivos: segurança para o comerciante e para o consumidor e a facilidade para o cliente pagar as compras.” Para a educadora Claudete Bosshard, a iniciativa veio somar à qualidade dos produtos que a feira oferece. “A gente vem na feira com o dinheiro contado para levar umas frutas e verduras, quando de repente, bate aquela vontade de levar produtos mais caros como um frango. Como o dinheiro está contatado, a gente deixava de comprar porque na feira não passava cartão”, relata.
A feirante Eneida Muniz Carrasco utiliza há um mês a máquina em sua barraca de verduras. Ela diz que está em fase de teste para ver se os clientes têm mais facilidade. “Hoje em dia, muitas pessoas trabalham com cartão. Por isso, a gente quis pegar a máquina para oferecer mais uma opção de pagamento.” Existe também a vantagem do feirante não manusear o dinheiro.
Uma das reclamações dos feirantes é a falta de divulgação. “A pessoa não traz o cartão para a feira porque não sabe. Muitos fregueses já disseram que agora vão começar a trazer”, diz Éllende Valentim. (CC)