Jaú - O município de Jaú (47 quilômetros de Bauru) quer ser comparado urgentemente a cidades de primeiro mundo pelo menos no quesito, meio ambiente. Porém, o prefeito João Sanzovo Neto (PSDB) está engasgado por ainda não ter dado o passo definitivo para, na sua gestão, instalar o aterro sanitário no município, que completa amanhã 153 anos.
“O calcanhar-de-aquiles é o aterro sanitário. Eu acho que demorou muito, mas saiu a licença prévia. Jaú só falta isso em termos de meio ambiente para poder se comparar a cidades de primeiro mundo”, avalia. O projeto prevê que o aterro da cidade terá vida útil aproximada de duas décadas. Atualmente, os mais de 123.374 moradores de Jaú produzem cerca de 90 toneladas de lixo por dia.
Sanzovo reclama que o processo junto à burocracia estadual é demasiadamente lento. Porém, o prefeito ameniza o discurso lembrando que se trata de um projeto que pode impactar de forma negativa o meio ambiente.
Na semana passada, o Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental (Daia) aprovou a licença prévia para que a prefeitura possa instalar o aterro sanitário na cidade.
Sanzovo argumenta a favor de Jaú o fato do esgoto doméstico ser 80% tratado, a marca de 100% de água encanada e tratada. E acrescenta que os córregos e rios estão recebendo recuperação de suas margens com reflorestamento de árvores nativas.
O município vive um ambiente positivo no setor industrial com o segmento calçadista equilibrando-se diante das dificuldades de exportação, devido à desvalorização do dólar em relação ao real, e as indústrias de cartonagem tendo bom desempenho econômico. A cidade também respira o bom momento por que passa a agroindústria canavieira, com novas áreas plantadas e perspectivas muito boas para o setor sucroalcooleiro.
O prefeito ainda deve entregar amanhã o Pronto-Socorro Municipal no Hospital São Judas. Segundo Sanzovo, a unidade de Saúde foi totalmente equipada pela administração municipal, que ainda está dotando o PSM com equipes de servidores municipais.
Sanzovo tem 48 anos, foi vice-prefeito de Jaú de 1993 a 1998. Se elegeu a prefeito em 2000 para o primeiro mandato que se encerrou em 2004 com a reeleição para mais quatro anos. Confira na seqüência os principais trechos da entrevista exclusiva concedida pelo prefeito de Jaú ao JC, na última sexta-feira.
Jornal da Cidade - Como o senhor está tratando a maior dificuldade da sua primeira administração (2001-2004) e que persiste na segunda sem que o projeto de aterro sanitário saia do papel? João Sanzovo Neto - É preciso lembrar que eu assumi em 2001, ano em que venceu um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que o ex-prefeito (Paulo Sérgio de Almeida Leite, também do PSDB), firmou com o Ministério Público. O MP me deu prazo e fui atrás de fazer o projeto e encaminhamos para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. No final de 2003, quando já estava para sair a licença, veio uma resolução do governo federal pedindo estudo sobre sítio arqueológico. Daí levou um ano para se ter um estudo que apontou que lá na área não tinham resquícios arqueológicos. No final do ano passado, foi levantada uma dúvida sobre a localização por se ter um córrego de captação de água lá por perto. Novamente tivemos que aguardar as visitas do pessoal da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da Secretaria do Meio Ambiente. Daí confirmaram, o que o relatório de meio ambiente já dizia, que o local era apropriado. Agora saiu a licença prévia.
JC - Agora sai do papel e como o senhor planeja conseguir dinheiro para implantar o aterro? Sanzovo - É muito tempo e tem uma burocracia, mas é um cuidado que a gente sabe que é com o meio ambiente. Tem que estar seguro de todos os meios de que o local é seguro e não vai ter um resultado negativo no futuro para o meio ambiente. Tenho um ano agora para fornecer uma série de informações para Cetesb e Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN) para conseguir a licença de instalação. Quando eu tiver esta licença, espero ter conseguido também R$ 1,5 milhão. O que a gente sabe é que o MP quer que o processo esteja caminhando.
JC - O senhor é do tipo de prefeito, como foi para São José dos Campos o Emanuel Fernandes, que é ex-secretário estadual de Habitação e deixou uma logomarca paisagística na cidade do Vale do Paraíba? Sanzovo - A oposição costuma dizer que estou maquiando a cidade. Uma mulher bonita, maquiada fica mais bonita. É embelezar a cidade com mais praça e mais verde. Na eleição passada, a oposição me chamava de ‘João redondo’, ‘João bolinha’, ‘João rotatória’. Só que hoje diminuiu o número de acidentes e melhorou o fluxo de veículos. É uma obra de engenharia de trânsito sensacional e com o paisagismo embeleza a cidade. No aniversário de Jaú vamos entregar mais duas rotatórias, uma na avenida do Café e outra na avenida doutor Quinzinho, próximo ao shopping.
JC - Que futuro tem a mão-de-obra do setor calçadista em Jaú em termos de formação e atualização em um setor que sofre forte concorrência internacional (chineses)? Sanzovo - Acabamos de inaugurar (última quinta-feira) a Fatec. É o primeiro curso superior de tecnologia em gestão da produção de calçados no Brasil. É Fatec e é gratuito. A escola do Senai está bem estruturada. Temos o Programa de Oficina e Iniciação Profissional (Proip) de calçados e que foi triplicado o atendimento em outros bairros. E agora tem no Distrito de Potunduva, porque uma hora vai mecanizar a colheita da cana. Isso em parceria com os sindicatos do setor que recebem recursos e contratam monitores.
JC - Como o senhor tem atuado com o incentivo ao setor calçadista da cidade, que tem como slogan principal “Capital Nacional do Calçado Feminino”? Sanzovo - Anualmente, investimos R$ 35 mil a cada ano, com autorização da Câmara, para que os pequenos empresários do calçados possam expor na Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes (Francal). E mais R$ 35 mil para que as firmas mostrem seus produtos na Couro Moda. Isso com apoio do Sebrae - SP. Fora a Jaú Expo, que é uma feira de calçado realizada em São Paulo e que a gente tem participado com a concessão de R$ 10 mil anuais. Esses empresários não teriam condições de alugar um estande na Francal ou na Couro Modas porque é caro. Eles têm tido resultados conseguindo novos clientes e até para exportação. Muitos que participaram no começo no estande coletivo do Sebrae-SP, agora estão em estande sozinho. Temos uma incubadora em parceria com a Fiesp. Lá temos empresas do ramo de calçado e demos preferência para empresas da cadeia produtiva do calçado. Isso é uma questão de sobrevivência do pólo calçadista.
JC - Em termos de administração o que significa para o senhor a interligação das informações entre os vários setores da máquina administrativa em um único banco de dados? Sanzovo – Vai ser um salto de qualidade para administração decidir as prioridades para o atendimento à população com melhora na qualidade dos serviços. Assinamos um convênio recente para implantar a cidade digital. Vamos interligar secretarias, escolas, creches, postos de saúde, via rádio. Será um único banco de dados em que você (setores da administração) vai poder saber que uma criança, que mora no São José, vai num determinado posto de saúde e a escola que ela freqüenta. Todos os serviços que o cidadão usa vão estar ligados com o lugar aonde ele mora.
JC - De que forma você pensa o futuro político da região, já que há um consenso de que não dá mais para votar em candidaturas que não tenham um sério compromisso com os municípios? Sanzovo - Eu defendo o voto distrital e espero que a gente chegue a fazer esta reforma política. Vou lutar para que o voto distrital seja uma realidade. É a grande solução para as mazelas que a classe política está sofrendo hoje. Porque o representante estando mais próximo da população... (riso irônico) Quer dizer, ele realmente sendo representante, vai ser mais cobrado e fiscalizado. Se ele fizer alguma coisa de errado, vai ser punido. O elo é bem maior quando representa uma região específica. Estamos trabalhando para o Milton Lyra (vice-prefeito) e a legenda foi dada inclusive com a ajuda do Pedro Tobias (deputado estadual que busca novo mandato na Assembléia). O Pedro convidou-o para vir para o PSDB porque o Milton era do Partido Liberal (PL). É um trabalho regional.