Tribuna do Leitor

Instituto Branemarck: a loteria européia


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O pai do avô de meu pai provavelmente já fazia sua fezinha no final da era imperial, ou no início da República.

Nasci após o invento da Loteria Federal tão conhecida nossa. Vi surgir a Loteria Esportiva, Quina, Sena, Mega Sena e tantas outras mais. Tentar a sorte considera-se normal e até natural, por todos nós ou muitos de nós.

Pode até ser desinteligente da minha parte reclamar ou questionar algo que se pretende principalmente quando não há grandes expensas. Neste caso, a analogia não é tão inverossímil quanto possa parecer.

Há mais ou menos 1 ano, quando da divulgação e inauguração do Instituto Branemarck, banguelamente sorri me imaginando poder novamente encher de dentes fixos minha boca. Fantástica ilusão em sonhar de novo poder segurar uma coxa de frango com as mãos e dar “aquela mordida”, desfrutar de uma costelinha e comer o churrasco com a família ou com os amigos sem precisar desviar a atenção na hora de comer.

Senhores, para não se alongar demais em extensos caminhos e inúmeros desvios, minha pergunta é: “Realmente, qual a probabilidade de uma pessoa pobre e comum igual a mim ser inscrita ou fazer o tão sonhado, almejado implante de dentes neste Instituto?"

Minha pretensão não é de possivelmente ganhar um acumulado de loteria sozinho. Mas sim dividir com milhares de brasileiros e bauruenses esperando minha vez para realizar o anseio do implante dentário.

Caro editor, não sei se publicada será minha missiva, espero que seja, haja vista que providências e orientações do Instituto eu as segui. Que foram: escrever explicando minhas necessidades e aguardar eventual triagem após a inscrição. Foram várias cartas, inclusive após esta, estarei enviando outra para lá.

Quero acreditar que tenha pessoas sendo beneficiadas com o projeto do Instituto, principalmente se forem as mais necessitadas como fora propalado. Porque infelizmente para mim o Instituto é como aqueles grandes prêmios de loteria, sabe-se que alguém ganhou, só que a gente nunca fica sabendo quem é.

Senhores, desculpem-me o amargor. A esperança às vezes nem com a morte morre, por isso espero que seja eu um dos escolhidos em breve, não sendo, que eu veja ou saiba de um conhecido, um amigo ou mesmo um vizinho sendo agraciado com novos dentes.

E olhem os senhores, não são poucos!

Roberto Vieira de Araújo - RG 6.838.109-8

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