Tribuna do Leitor

Apocalipse


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O texto que vamos ler abaixo foi escrito por Ria Ellwanger e publicado na revista “Crónicas de los tiempos”, em abril de 2002. Ele foi sintetizado por mim, por ser um texto muito prolixo. Trata-se de uma carta escrita por alguém no ano 2070:

“... Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente. No século XX advertiram muitas vezes que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso. Agora restam apenas algumas manchas de vegetação com seu respectivo rio, que são fortemente defendidos pelo exército.

Pensávamos que a água jamais iria acabar. Hoje, praticamente todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão esgotados. A água tornou-se um tesouro cobiçado, muito mais que o ouro ou os diamantes. Os assaltos por um bujão de água são comuns nas ruas desertas. A rede de esgoto não funciona mais, por falta de água. Tivemos que voltar a usar fossas sépticas. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. A quantidade ideal era de 8 copos diários. Mas só posso beber meio copo.

A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele, causadas pelos raios ultravioletas, que já não têm a camada de ozônio, que os filtrava na atmosfera. Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40. A natureza não consegue mais fabricar água porque o oxigênio está degradado, por falta de árvores, diminuindo o quociente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos e, como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo cobra pelo ar que respiramos. Quem não pode pagar é retirado das “zonas ventiladas”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos, que funcionam com energia solar. Creio que a vida na Terra já não será mais possível dentro de muito pouco tempo...”

Gilberto Sidney Vieira - professor - RG 3.476.358

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