A pauta no noticiário nacional, nos últimos meses, tem sido exaustiva quanto às inúmeras denúncias sobre corrupção no país e, generalizada, na maioria dos estados da federação. Mas o que o cidadão comum pode fazer além de prostrar-se "passivo" diante dos veículos de comunicação de massa, como as grandes emissoras de TV que, na maioria das vezes, funcionam como via de mão-única, não deixando espaço para a manifestação popular? Ouve-se no noticiário televisivo denúncias diárias sobre atos de improbidade administrativa e nos parece que não há nada de imediato que possamos fazer.
Como bem colocado pelo experiente jornalista Pedro Zanotelli, em artigo publicado nesta página, não podemos continuar declarando “desprezo pela evidência do enriquecimento ilícito”. Trata-se, na verdade, de um verdadeiro assalto a mão-armada aos cofres públicos. Torna-se privado o que é público. Esta é a mentalidade de quem, literalmente, nos assalta, demonstrada pelos historiadores e existente desde o descobrimento da terra brasilis.
Mas a boa notícia é que há, sim, como reagirmos de imediato. O site Transparência Brasil, criado por um grupo de intelectuais, entre eles o jornalista Cláudio Abramo, lançou no último mês um serviço de informações sobre o perfil dos candidatos à Câmara Federal para as próximas eleições (http://perfil.transparencia.org.br). O objetivo desta prestação de serviços é proporcionar aos eleitores informações sobre a vida pública desses candicatos recolhidas de bancos de dados públicos. Segundo o site, este serviço visa orientar a população “para que não vote nos deputados envolvidos nos escândalos como os do mensalão e dos sanguessugas a fim de que a reeleição não funcione como salvo-conduto para procrastinar o julgamento pelos seus atos”. Nele, há informações sobre a vida pública do pretenso candidato e sua prestação de contas feitas ao Tribunal Superior Eleitoral.
Uma dos nomes bem consultados é o do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho. O ex-vereador e ex-deputado estadual, deputado federal, prefeito de Ribeirão Preto e médico sanitarista, responde ou respondeu a quatro processos, entre eles, crime contra a administração pública onde foi contratada a construção de 200 casas populares, sendo apenas 30 construídas. O processo foi arquivado por prescrição. Outros três, por contratos irregulares, constatados em aditamentos, na ocasião em que era prefeito de Ribeirão. Declarou como bens possuídos à Justiça Eleitoral, uma casa no valor de R$ 54.651,00; 25% de uma residência adquirida de seu genitor por R$ 14.982,00; um terreno, no valor de R$ 27.000,00 ; um veículo Corsa Wind, ano 2000, no valor de R$ 12.500,00; um veículo Vectra, no valor de R$ 21.500,00 e finalmente, um veículo Toyota, no valor de R$ 60.000,00. O ex-ministro possui apenas R$ 148,00 em conta corrente no banco Banespa e R$ 2.300,00 em conta corrente no Banco do Brasil. Aplicou R$ 99.400,00 em renda fixa no Banco do Brasil. É para inglês ver!
A TCC, Transparência Consciência & Cidadania, é uma entidade “não governamental, apartidária, independente, sem fins lucrativos, fundada em 1996 e sediada em Brasília. É filiada à Transparency International, com sede em Berlim - Alemanha.
São iniciativas como essa e, de cada um fazendo a sua parte, que o nosso voto poderá valer a pena.
A autora, Adriana Nigro Cardia, é professora de Jornalismo e Relações Públicas. Mestre em Comunicação Organizacional/Corporativa pela USP e consultora - e-mail: Adriananigro2002@yahoo.com.br