Internacional

EUA têm 35 milhões de clandestinos

Por Vinícius Galvão | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Em meio a discussões do Congresso sobre a nova lei de imigração, os EUA registraram aumento de 16% na população de estrangeiros que vive ilegalmente no país nos últimos cinco anos. O dado foi divulgado pelo Census Bureau, equivalente americano do IBGE. São 35,7 milhões de pessoas que vivem clandestinamente no país, população maior que a do Estado da Califórnia.

Dos quase 300 milhões de habitantes dos EUA, 12,4% não têm cidadania americana. O número crescente de imigrantes, segundo a pesquisa, decorre do fluxo maior de mexicanos que cruzam a fronteira. Hispânicos representam ontem 17 milhões de imigrantes, dos quais 11 milhões vêm do México.

Em segundo lugar aparecem os chineses, 1,8 milhão, e os indianos, 1,4 milhão. “Basicamente, é a continuação da mexicanização da imigração nos EUA”, afirma Steven Camarota, diretor do Centro de Estudos Migratórios.

Apesar de formarem uma comunidade expressiva, os brasileiros não aparecem na lista. O endurecimento na concessão de vistos americanos após o 11 de Setembro e a exigência de visto de entrada no México restringiram o fluxo de brasileiros.

Estimativa feita pelo consulado brasileiro em Nova York aponta 1 milhão de brasileiros vivendo ilegalmente nos EUA. O levantamento é baseado em atendimento a cidadãos, assinaturas de transmissão internacional da TV Globo e serviços itinerantes e emissão de passaportes.

Nova York, Miami, Boston, Newark, Los Angeles, Filadélfia e Chicago, nessa ordem, são as cidades com maior população brasileira, crê o consulado.

Fenômeno inusitado

O aumento dos estrangeiros nos EUA vem acompanhado de um fenômeno inusitado: Estados que antes não eram destinos migratórios registraram um crescimento substancial de clandestinos. Dakota do Sul viu sua população de ilegais inchar em 44% desde 2001.

Em Indiana e Delaware o aumento foi de 34% e 32%, respectivamente. “Agora há imigrantes em muito mais localidades pelo país, e isso traz um impacto social muito grande. Moradores que antes não estavam acostumados têm de lidar com choque cultural na escola, no trabalho, em hospitais”, avalia Audrey Singer, especialista em imigração do Brookings Institution.

Os Estados preferidos pelos estrangeiros continuam sendo Califórnia, Nova York, Texas, Flórida, Nova Jersey e Illinois. Los Angeles, com 40,3%, é a cidade com maior número de imigrantes, seguida de San Jose, com 37,9%.

Apesar de ter dois terços dos habitantes nascidos fora dos EUA, Nova York não lidera o ranking, segundo o Census Bureau, por ter uma população flutuante grande.

Mulheres de origem mexicana, dominicana e chinesa, segundo a pesquisa, encabeçam a lista de parto em hospitais americanos - forma de garantir permanência legal nos EUA. “Os imigrantes, mais uma vez, vão definir o futuro deste país’, diz Marcelo Suarez-Orozco, fundador do Harvard Immigration Project e diretor de estudos migratórios da New York University.

Apesar do temor de muitos, pesquisa do Pew Hispanic Center revela que o aumento de imigrantes não afeta a oferta de empregos para americanos. Imigração e segurança de fronteira são temas que devem permear as eleições para o Congresso e parte dos governos estaduais em novembro.

Para obter apoio conservador para sua lei de imigração, que prevê a legalização de clandestinos no país há mais de cinco anos, o presidente George W. Bush enviou, em maio, 6 mil membros da Guarda Nacional para a fronteira com o México.

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