Nacional

Corrupção vira tema de Lula e Alckmin

Por Michele Oliveira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - No primeiro dia de propaganda eleitoral na TV, os dois principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), comentaram os escândalos de corrupção ocorridos no País. Enquanto Alckmin, que falou antes, prometeu combater a corrupção e o mensalão, Lula, o último, tentou generalizar a crise, pondo a culpa em todo o sistema político.

“O Brasil tem pressa. Não dá mais para o nosso País perder tempo com tanta denúncia de corrupção, com mensalão, com discurso, com erros e mais erros”, disse Alckmin à tarde. Logo depois, foi a vez de Lula mencionar a crise política e dizer que irá promover uma reforma política. “Não se engane: a crise ética que se abateu sobre o país é a crise de todo o sistema político e não apenas de alguns partidos ou de determinadas pessoas. Os que cometeram erros precisam ser punidos.” Dizendo estar com a “consciência tranqüila”, Lula pediu votos.

Fora as menções à corrupção, o horário eleitoral começou sem ataques. As propagandas do petista e do tucano privilegiaram suas trajetórias e os números de seus governos.

Apresentado como “administrador competente”, Alckmin tentou associar sua imagem à do governador Mario Covas (1995-2001). Disse que priorizará a educação e manterá o Bolsa-Família. O tucano deixou para atacar nas inserções ao longo da programação. Em uma delas, o governo é chamado de “decepção”, e um jingle traz a letra: “Para essa gente, meu voto eu não dou, não”.

A propaganda do PT também enalteceu programas do governo e desempenho econômico. Lula tentou se lançar como “presidente do povo” e, ao contrário de Alckmin, usou jingles.

Entre os que têm menos tempo, Heloísa Helena, do PSOL, também falou de mensalão e pediu para o eleitor não votar em “político corrupto”. Cristovam Buarque (PDT) começou homenageando Leonel Brizola (1922-2004) e falou de sua única plataforma: educação. Já Luciano Bivar (PSL) usou todo o seu tempo para atacar a imprensa, enquanto o programa de José Maria Eymael (PSDC) exibiu em suas legendas dois erros de português: “empobresse” e “obcessão”.

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Sem falar em mensalão

São Paulo - O candidato a deputado federal Valdemar Costa Neto (PL-SP), que renunciou ao mandato no ano passado, após ser envolvido pelo deputado cassado Roberto Jefferson no mensalão, foi o único dos envolvidos no escândalo a fazer um mea culpa em cadeia nacional, ontem, em sua primeira aparição no horário eleitoral gratuito na TV.

O ex-ministro da Fazenda e candidato a deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) e a deputada da “dança da pizza” Angela Guadagnin (PT-SP) não mencionaram o tema. Valdemar fez outra confissão sobre o recebimento de dinheiro: “Errei e só me restavam dois caminhos: abandonar a vida pública ou ficar, reconhecer o erro e começar tudo de novo”.

À época, admitiu ter usado R$ 1,25 milhão sacado de conta de empresa de Marcos Valério para saldar dívidas da coligação PT-PL em 2002. Antes de enfrentar processo por quebra de decoro aberto, Valdemar renunciou para não sofrer cassação - que levaria à perda dos direitos políticos e o impediria de se candidatar por oito anos.

Palocci, envolvido em uma série de escândalos (propina mensal quando prefeito de Ribeirão Preto e caixa dois na campanha de 2002 de Lula), falou sobre economia e evitou o “caso do caseiro”, episódio da violação do sigilo bancário de Francenildo dos Santos que levou à sua queda do ministério.

“Saúde sempre foi minha prioridade”, disse, no programa, Guadagnin, a ex-integrante do Conselho de Ética que sempre pedia vista nos processos de cassação para atrasar o trâmite e beneficiar aliados. Ao comemorar a absolvição do petista João Magno, que teve cassação recomendada no conselho, a deputada riu e dançou, no episódio marcado como a “dança da pizza”.

Com poucos segundos para dizer a que vieram, muitos candidatos tentam estabelecer identificação com o eleitor pelo “nome de guerra”, como Rodinei da Cohab e Rosa do INSS. Outros usam rimas como estratégia e números simbólicos.

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