Lençóis Paulista - Uma denúncia feita ao Ministério Público do Trabalho desencadeou uma blitz em uma fazenda no município de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), ontem. Trabalhadores rurais do Nordeste estão trabalhando até 10 horas por dia sem condições de segurança e saúde.
Os problemas, segundo o procurador Luiz Henrique Rafael, são típicos dos migrantes.
“Eles são contratados por empresas terceirizadas que fornecem cana para o Grupo Zillo Lorenzetti. Reclamam de excesso de trabalho, falta de condições de segurança, falta de banheiro e não cumprimento do contrato.”
Os trabalhadores alegam que foram contratados para ganhar mais do que estão recebendo. “Eles não têm dinheiro nem para retornar para suas cidades de origem.”
Rafael frisa que uma equipe do Ministério do Trabalho acompanhoua blitz. “Um médico e um engenheiro estiveram no local verificando a parte de medicina do trabalho. Vão lavrar os autos de infração até sexta-feira.”
O procurador promete punir tanto a empresa fornecedora de mão-de-obra como o Grupo Zillo. “O grupo Zillo terceirizou a colheita. Essas empresas estão trazendo os trabalhadores e praticando essas irregularidades. Vamos exigir a regularização de todos.”
Investigação
A investigação, segundo o procurador, vai continuar. “Porque o Ministério Público vai ouvir os trabalhadores e tentar identificar as empresas empregadoras e verificar o problema do aliciamento.”
Assim que os autos de infração forem encaminhados, o procurador pretende ajuizar ação na Justiça. “Para que a Justiça conceda liminar proibindo essa prática. A terceirização já foi julgada ilegal, mas o grupo Zillo recorreu. A ação questionava somente a terceirização e vamos questionar a segurança do trabalho.”