Cultura

Peça discute a divisão de classes

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Em quatro fases, um retrato duro e honesto da realidade brasileira e das gritantes diferenças sociais que existem em todos os centros urbanos. O espetáculo “Assim Se Vive”, do Grupo de Teatro Educativo Abertura, será apresentado hoje, às 20h30, no Teatro Universitário Veritas, dentro do projeto Quintas Culturais. A entrada é franca e a sessão é aberta à comunidade.

A diretora do grupo, Dora Girelli, relata que escreveu o texto em 1968 e ele continua assustadoramente atual. “Eu pensei que essa peça sairia da realidade, mas infelizmente ela ainda é o que vivemos. Tivemos de atualizar pouca coisa, especialmente as músicas”, aponta. A montagem tem direção de Dora, Cristiani Lanzetti e Pablo Lagatta, coreografia de Nataly Tavares e conta com 30 atores no palco, entre os quatro atos. São integrantes do grupo Abertura com idades entre 12 e 34 anos.

De acordo com Dora, o espetáculo tem quatro fases independentes, unidas pela temática de cunho social, com a discussão das diferenças sociais e a necessidade de compensar as desventuras e sofrimentos. “Vou usar a técnica de fechar e abrir a cortina entre cada ato, como antigamente, para deixar claro que as cenas são independentes”, comenta.

O primeiro ato apresenta a alta sociedade brasileira através de personagens tipicamente paulistas. Dora ressalta que os personagens adultos abordam temas como dinheiro, negócios, produtos caros e problemas da indústria, enquanto os jovens deixam-se levar ao mundo das drogas e da falta de consciência política. No segundo ato, uma família paulista de classe média entra em cena. “É o cotidiano dessa família, onde o pai é trabalhador, a filha sonha com seus ídolos, o filho quer tornar-se jogador de futebol. Tudo acontece em torno de uma final de campeonato entre Corinthians e Palmeiras”, adianta a diretora.

No terceiro ato, surgem os moradores de uma favela carioca. “Entra o samba, a magia da música, mas também o mundo do tráfico, as crianças no morro com arma na mão. Também mostramos como o morador das comunidades cariocas é mais politizado e consciente dos problemas sociais brasileiros”, analisa Dora.

A quarta parte é uma espécie de conclusão sobre os temas discutidos no espetáculo. “É uma crônica representada com mímica, que questiona cada pessoa sobre seus problemas, seu modo de vida e onde vamos buscar apoio: na religião, no esporte, nas drogas, na música. E há um mendigo, que não tem onde buscar esse apoio e permite a ligação entre os quatro atos”, afirma a diretora.

O grupo Abertura foi formado em 1986 e conta com a participação de estudantes de escolas estaduais, particulares e de universidades de Bauru, além de profissionais. Segundo Dora, ele foi fundado com o objetivo de levar cultura, diversão, mensagens educativas e colaborar com ações de entidades assistenciais. Há 42 anos, Dora trabalha com teatro e comemora duas décadas de sua chegada a Bauru e o início dos trabalhos com o grupo.

• Serviço

Espetáculo “Assim Se Vive”, com Grupo de Teatro Educativo Abertura, hoje às 20h30 no Teatro Universitário Veritas. A USC fica na rua Irmã Arminda, 10-50, Jardim Brasil. Entrada franca. Mais informações: (14) 3235-7131.

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