Está na mídia diariamente a relação de políticos suspeitos de beneficiar-se do dinheiro público, de várias formas, mas todas condenáveis. Sanguessugas é a onda sucessora à dos mensaleiros em nosso triste e acabrunhante cenário de corrupção tão generalizada nos poderes públicos. Considerada a imagem que se tinha dos evangélicos - os protestantes, os bíblias - surpreende que no meio dessas verdadeiras quadrilhas nada cívicas eles sejam encontrados em grande número. Daí a menção junto aos seus nomes da classificação de evangélicos.
A mídia também frequentemente apresenta estatísticas do crescimento dos evangélicos no Brasil. E realmente encontramos igrejas novas a cada dia, e algumas delas com um crescimento fantástico. Essas igrejas vão desde as que se reúnem em pequenas garagens até as que são construídas de forma grandiosa, substituindo antigos prédios; às vezes superam quarteirões. De forma simplista pode-se dizer que se agrupam em três “gerações”: tradicionais, pentecostais e neo-pentecostais. Por exemplo, Presbiteriana, Batista e Metodista são do primeiro grupo, advindas da reforma protestante iniciada na Europa; Assembléia de Deus originada nos Estados Unidos, é a mais conhecida na segunda classificação; e, na terceira classificação encontramos como principais a Universal do Reino de Deus e a da Graça. O crescimento em progressão geométrica provocou o fenômeno da proliferação de nomes e denominações que nos confunde um pouco para uma classificação mais apropriada.
O Conselho de Pastores de Bauru, em manifesto de poucos dias atrás nos jornais, pareceu muito claro, preciso e sincero em suas palavras. Em sua mensagem, há um reconhecimento de que como líderes de igrejas evangélicas acabam sendo atingidos também por aqueles que se identificam como evangélicos, mas sem dúvida têm agido de forma diametralmente oposta aos princípios contidos na Bíblia. E firmam-se numa postura pró-ativa não só condenando a atuação de qualquer um dos mensaleiros, sanguessugas e outros corruptos, sejam evangélicos ou de outros credos religiosos, mas orientando para uma atuação consciente da população em seus direitos e deveres cívicos. Mesmo para aqueles que não se classificam nos grupos religiosos conhecidos, os padrões de conduta inspirados nos evangelhos podem ser aceitos e usados.
Em época de muitos desentendimentos e até mesmo guerras causadas por preconceitos de vários tipos, é justo que tratemos com muito cuidado o uso de palavras e classificações com conseqüências indesejáveis. Os desonestos e irresponsáveis que levados ao poder político agem incorretamente, devem ser cobrados por seus atos ilícitos, independentemente de suas crenças, grupos sociais, raça, nível educacional e outras classificações. Evidentemente podem ter se constituído em um grupo para as ações desonestas, podem ter usado o evangelho de forma indigna ao buscar seus votos, mas sem dúvida não agiram em nome de todos os evangélicos brasileiros.
O autor, Antonio Gerson de Araújo, é economista, professor universitário e consultor evangélico