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Força-tarefa quer sufocar finanças do PCC

Por José Ernesto Credendio, Regiane Soares e Fabio Schivartche | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Órgãos do governo federal de combate à lavagem de dinheiro vão investigar a movimentação bancária de pessoas ligadas ao PPC como estratégia para estancar as fontes de financiamento e bloquear o dinheiro da facção criminosa, que realizou três ondas de ataques violentos no Estado de São Paulo.

O acordo foi firmado oficialmente ontem pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), durante reunião do Gabinete de Gestão Integrada que discutiu formas de combater o PCC. Vão participar da investigação os ministérios da Justiça - por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) - e da Fazenda - por meio do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf).

Na próxima quinta-feira, técnicos dos órgãos citados virão a São Paulo se reunir com a Secretária da Segurança Pública para definir a estratégia de atuação e trocar informações. Polícia Federal e Receita Federal também devem participar.

A intenção da força-tarefa é rastrear movimentações suspeitas, identificar os titulares das contas e buscar, na Justiça, o bloqueio do dinheiro. O Coaf informou ontem, sem dar detalhes, já ter identificado movimentações financeiras de membros do PCC e de outros grupos do crime organizado no Estado de São Paulo. Segundo o ministro da Justiça, asfixiar financeiramente o PCC será prioridade nos próximos meses.

Segundo o Ministério Público, apenas uma célula do PCC na capital paulista (acredita-se haver pelo menos quatro) movimentava de R$ 800 mil a R$ 1 milhão a cada 40 dias. A maior parte do dinheiro seria proveniente do narcotráfico. A estratégia do PCC para burlar a vigilância dos órgãos federais tem sido pulverizar o dinheiro em diversas contas, com valores baixos.

Durante a reunião, no Comando Militar do Sudeste, o secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou que somente uma pessoa ligada à facção havia aberto cerca de 200 contas em um ano. Cada conta movimentou, em média, cerca de R$ 20 mil. O secretário declarou ainda que dinheiro do PCC financia campanhas eleitorais - não citou nomes nem partidos - e a corrupção de agentes públicos.

O secretário disse que, a partir das investigações da polícia de São Paulo, várias outras ações devem ser tomadas, como determinar o bloqueio de movimentação financeira em determinada conta corrente. O bloqueio de contas depende de autorização judicial.

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Saiba mais

• Histórico

Em 2003, todos os Estados e o Distrito Federal aderiram ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), assumindo com a União o compromisso de formarem Gabinetes de Gestão Integrada (GGIs). O gabinete de São Paulo, último Estado a abrir o GGI, foi inaugurado ontem.

• Para que serve?

Os gabinetes trabalham para reduzir a violência e combater o crime organizado. O objetivo do órgão é planejar e integrar ações policiais, compartilhar informações e otimizar de recursos aplicados em segurança pública.

• Quem participa?

O GGI é composto por membros da Secretaria Estadual de Segurança Pública, das polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar, representante do Sistema Penitenciário Estadual, do Tribunal de Justiça, do Ministério Público e um representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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