Política

Série Candidatos de Bauru a deputado estadual e deputado federal: ‘Eleição não é trampolim para 2008’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador Antônio Faria Neto (PDT), candidato a deputado estadual pelo PDT de Bauru, ainda não tem certeza se poderá manter a candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou ao vereador o pedido de registro pela falta de quatro documentos. Pior. Faria Neto perdeu o prazo para apresentar a documentação exigida pelo Tribunal depois que a candidatura foi impugnada. Faria entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aguarda a decisão para saber se é candidato ou não.

Enquanto espera, Faria segue com a campanha na tentativa de conquistar os votos que não obteve na eleição para vereador em 2004, quando ficou como suplente e só assumiu porque o titular da cadeira, José Clemente Rezende, foi chamado para presidir o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru.

Mesmo com os fatores desfavoráveis, o vereador afirma que não se candidatou para manter o nome em evidência e usar o espaço na mídia, visando se credenciar a disputar a eleição para prefeito em 2008, cargo que já disputou em 1996. “Não tenho pretensões de ser prefeito. Minha idéia é fazer de dois a três mandatos de deputado e me aposentar. Mas meu sonho de ser prefeito acabou”, disse.

Sem traição

A candidatura a deputado estadual, de acordo com Faria, não caracteriza traição ao eleitor que votou nele para vereador. Ele alega que declinou várias vezes de ser candidato a deputado “para não atrapalhar ninguém”. “Se eu ganhar a eleição, meu eleitor não vai ficar triste. Hoje eu ajudo Bauru como vereador, mas se eu for eleito, vou sair do micro para o macro e poderei ajudar muito mais”, disse.

O vereador alega que, se for eleito, quem assume a vaga na Câmara Municipal é alguém de seu partido, que teve votação expressiva para ser suplente. “Uma coisa é você ser deputado e deixar o cargo para assumir uma secretaria, porque vai assumir um deputado de outra região, mas aqui em Bauru, não. Se eu deixar de ser vereador, entra um outro vereador que vai trabalhar pela cidade, como eu”, destacou.

Para Faria, o eleitor que votou nele em 2004 saberá entender os sacrifícios que terá de fazer, caso seja eleito deputado. “Todo deputado faz um pouco de sacrifício, porque deixa de lado a família e os amigos para trabalhar em São Paulo”, disse. Segundo o vereador, para amenizar a distância que vai separá-lo do eleitorado local, se for eleito, vai abrir um escritório para atender a população de Bauru e região. “Minha idéia é ter um escritório aqui em Bauru, onde vou atender toda segunda-feira, vereadores, prefeitos e a população”, frisou.

Dificuldades

O candidato Antônio Faria Neto garante que não terá dificuldades em transitar nos bastidores do poder estadual, mesmo que o governador não seja do seu partido, como indicam as pesquisas de intenção de voto. Ao contrário, Faria aposta que o PDT deva apoiar o candidato do PSDB, José Serra, em eventual segundo turno e, posteriormente, no governo. “Eu imagino que, apoiando o Serra, o relacionamento da cúpula do PDT com a do PSDB é muito bom e vamos estreitar esse relacionamento”, ressaltou.

E na hipótese de José Serra não ser eleito, o vereador também acredita que não terá problemas para ver suas reivindicações atendidas, já que será respaldado pelos votos obtidos na eleição. “É um direito do deputado reivindicar e eu não vou falar por mim, mas pelos 50 mil ou 60 mil eleitores que me elegerem”, afirmou.

Mesmo confiante que a atuação não será comprometida, o candidato concorda que atualmente há muitas dificuldades para deputados que não fazem parte do governo conseguirem êxito junto ao Executivo. Faria cita como exemplo a Prefeitura de Bauru, que, segundo ele, trata por igual os vereadores de situação e oposição. “Não tem que haver privilégios, isso é democracia. Não é porque é desse ou daquele partido que não pode ser atendido”, frisou.

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