Uma manifestação de moradores do Jardim Chapadão quase acaba em confusão na noite de ontem. Para protestar contra o cancelamento de dois ônibus na linha do transporte coletivo do bairro, os moradores fecharam a avenida Rosa Malandrino Mondelli com entulhos e atearam fogo para impedir a passagem dos veículos. Porém, a informação que chegou ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) foi de que criminosos teriam colocado fogo no ônibus.
A intenção da Associação dos Moradores do Jardim Chapadão era chamar a atenção das autoridades para o problema da população do bairro, que há 10 dias conta com dois ônibus a menos circulando à noite. Mas um mês depois que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) incendiou ônibus em Bauru, a estratégia adotada causou um grande tumulto.
Era por volta de 20h30 quando os manifestantes pararam dois ônibus. O protesto ainda estava no começo, quando alguns moradores que discordaram da atitude liberaram a avenida, afastando os entulhos em chamas. Segundo as pessoas que estavam no local, teriam sido rapazes que não queriam a polícia por perto.
Atentado
Poucos minutos depois, chegaram quatro viaturas da Polícia Militar (PM). A denúncia passada aos policiais foi que um ônibus estava sendo incendiado no local. “Quem ligou no Copom, achou que o ônibus tivesse sido incendiado”, conta o capitão Válter Luís Sales, comandante da 4.ª Companhia, que atendeu a ocorrência. Para o oficial, a reivindicação estava fora da lei e foi irresponsável. “E se a labareda atingisse o linhão que leva energia para todo o Sudeste?”, questiona Sales se referindo à rede de transmissão que se estende pela avenida.
Rosemeire Maria Marins, líder comunitária, ressaltou que a manifestação foi pacífica e que estava reivindicando necessidades do bairro. “Tiraram dois ônibus daqui. Os coletivos ainda estão operando no horário de férias, o que é um problema para os jovens do ensino noturno. Somos muito prejudicados”, conta. Uma jovem que cursa uma faculdade no Estoril disse que se perder o ônibus das 22h30, precisa esperar até as 23h20 para o próximo. “E é um lugar perigoso para se esperar a condução”, disse a universitária, que preferiu não se identificar.
Para o capitão Válter, o protesto poderia ter sido de outras formas. “Tem reivindicação justa, e a manifestação deve ser pacífica. Mas tinha uma ocorrência na Bela Vista e a gente veio para cá”, conta. “Essa foi uma reivindicação fora da lei. E a gente achando que fosse ataque”, critica.