Bairros

Rio que dá nome ao bairro também pode sumir

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Assim como bairro para o qual empresta o nome, o rio Verde pode desaparecer. A causa maior, também neste caso, é o abandono. O rio, que tem sofrido anos seguidos de processo constante de assoreamento, foi reduzido a um veio d’água com pouco mais de 30 centímetros de profundidade.

No passado, a realidade era distinta. “Há cerca de oito anos o córrego era fundo e as pessoas podiam até mergulhar nele”, lembra a comerciante Orides Barbosa, que tem 50 anos e é natural do bairro.

Wilmar Berton, marido de Barbosa, também recorda da época em que o rio podia ser usado como local de lazer pelas pessoas da região. “Alguns trechos do riacho tinham profundidade suficiente para encobrir uma homem adulto”, diz ele, que está há 12 anos no bairro e já morou em cidades como Caxias do Sul e São Paulo, antes de fixar-se em Rio Verde.

Fernanda Ribeiro de Franco, secretária-executiva da Vidágua, Organização Não-Governamental (ONG) de defesa dos recursos hídricos que funciona na cidade, diz que o assoreamento não é uma característica exclusiva do rio Verde.

“Outros riachos e córregos do município apresentam problema semelhante”, afirma Franco, que também é bióloga. De acordo com ela, muitas causas podem ter levado o rio Verde ao estado em que se encontra atualmente.

“Foi um processo lento, provocado pelo remoção da mata ciliar das margens desse riacho”, explica. Situações aparentemente inocentes podem ajudar a agravar o problema dos córregos. “Quando o gado vai beber água, por exemplo, é comum que os animais derrubem sedimentos para dentro dos riachos, o que aumenta ainda mais o assoreamento desses locais”, diz.

Maria Eugênia Gracia, Secretária Municipal de Agricultura, reconhece a gravidade do problema. “É preciso investir na recuperação da proteção do solo, para evitar que esse processo avance”, alerta. O rio Verde e outros riachos da região são afluentes do importantes rios da região, como Batalha e Água Parada.

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Pessimismo

Dizer que os moradores de Rio Verde estão extremamente pessimistas com relação à inauguração do novo aeroporto pode ser exagero, mas dizer que estão exultantes com a nova situação seria mentira das grandes.

O pedreiro e comerciante Pedro José da Costa já sabe o que irá fazer com seu bar tão logo a região comece a receber movimentação de aeronaves e passageiros. “Assim que o aeroporto abrir, fecho este boteco, pode ter certeza”, afirma ele.

O medo de Costa está relacionado a um possível aumento o fluxo de pessoas estranhas no povoado. “No final, a tendência é de que isso aqui vire uma ‘boca de maloca’”, acredita. Em outras palavras, ele teme que seu bar torne-se ponto de encontro de pessoas de má conduta. O asfalto na estrada vicinal também gera temor no comerciante. “Rio Verde vai virar um bico de ‘racha’”, lamenta.

Nem mesmo a idéia de ver seu negócio prosperar seduzem Costa. “Abri esse boteco para passar meu tempo e relaxar, não para ter dor de cabeça”, diz. Desde que abriu o bar, em 1995, nunca fez um balanço para conferir os lucros conquistados.

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