Analogias
Cada vez mais me convenço de que a Terra mais parece com um hospital, uma prisão e uma escola, funcionando simultaneamente. Basta ver as notícias da mídia e se aprofundar nos nossos problemas pessoais para confirmar isso.
É um hospital porque os mecanismos da vida conduzem para curar as deficiências da alma. Gosto de relembrar progressos que fiz nessa área: 30 anos atrás havia muitos defeitos que o processo inteligente e dolorido da vida se encarregou de eliminar. Lógico que nesse intervalo de tempo descobri novas falhas, que até então faziam parte do meu “eu desconhecido” e que espero resolvê-las num futuro breve. Conforme a vida transcorre, desde que nos esforçamos vamos nos tornando versões melhores.
É também uma prisão, porque não gozamos de liberdade plena. Nesse caso, a ignorância é a grande vilã. Ela provoca pensamentos negativos, hábitos nocivos, medos e paradigmas que são verdadeiras amarras. A liberdade é diretamente proporcional às evoluções do intelectual, do moral e do espiritual. É também uma escola, considerando que a vida propicia aprendizagens o tempo todo. Na minha opinião, não existem sofrimentos, existem ensinamentos.
Os problemas da vida, como no ensino escolar, são ingredientes de desenvolvimento da inteligência. Nesse contexto, uma empresa é a comunidade em miniatura. Por sua vez, ela tem seus pacientes, prisioneiros e alunos.
É sabido que o sonho de todo empresário é ter uma equipe de funcionários perfeitos. Inconscientemente ele sabe que esse desejo é utópico, mas conscientemente exige perfeição dos colaboradores. Com isso, sofre e lamenta.
Para amenizar essa necessidade empresarial, atuando como consultor, costumo classificar as pessoas de uma organização em autores, atores e espectadores.
Autores são os motivados, que tomam iniciativas, lutam para atingir metas, são criativos, gostam de aprender e fazem acontecer. Por sua vez, os atores são os que só cumprem os papéis solicitados. Se não ocorrer o pedido, não movem uma palha sequer. Já os espectadores apreciam demais observar. Geralmente são ótimos em marketing pessoal e costumam deixar boas impressões nas relações interpessoais.
Devido aos novos padrões de exigências estabelecidos nos últimos anos pelo mercado na iniciativa privada, os espectadores foram extintos quase na totalidade. Nos órgãos públicos ainda há muitos. Os atores e espectadores são os mais necessitados. São eles que mais precisam de cura, de liberdade (no bom sentido) e de educação. Para a empresa restam duas opções: recuperá-los ou descartá-los.
Tenho percebido junto a alguns clientes que com muito bom senso, determinando limites claros, respeitando as pressões de mercado e com uma liderança servidora, o melhor caminho está em recuperar esse tipo de colaborador.
Após se apurar as causas são dadas as chances, com data estabelecida para resolução. Como resultados notam-se melhorias no clima organizacional, desenvolvimento da credibilidade junto à liderança e aumentos de produtividade e qualidade.
As pessoas se sentem mais seguras nesse tipo de ambiente. Neste caso, o caminho mais fácil e rápido é o descarte dos espectadores. Mas a vida me ensinou a desconfiar do fácil e do rápido, pois geralmente são inconsistentes.
Davison de Lucas - consultor organizacional e palestrante.
www.mdavison.com.br