Vestido com roupas largas e cumpridas, de barba e takia (boné sem aba) na cabeça, por onde passa Alexandre Tomé Zonta chama a atenção. “Se eu andar assim em São Paulo quase ninguém vai reparar, mas em Bauru é uma novidade”, diz.
O visual não desperta apenas a curiosidade, mas também protestos. “Um dia, eu estava andando no Calçadão e uma pessoa cuspiu em mim e me chamou de terrorista”, relata.
Abdullah comenta que foi abordado na rua por um pastor de igreja pentecostal que disse que ele estava com o diabo no corpo por ser um muçulmano. Além de terrorista, Abdullah também já foi chamado na rua de “Bin Laden”.
Desde que começou a guerra entre o Líbano e Israel, ele evita sair com a roupa característica dos muçulmanos. “O uso (das roupas típicas) não é obrigatório. Nós usamos por uma questão de identificação”, explica.
Abdullah fala que as reações extremistas refletem uma total falta de informação das pessoas. Segundo ele, o Al Corão (livro sagrado dos muçulmanos) condena o suicídio e a violência, o que não justificaria a fama de terroristas. Sobre o atentado contra as torres gêmeas em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, Zonta destaca que o islamismo jamais concordaria com tamanha violência.
De acordo com ele, assim como existem pessoas que fazem o mal apesar de se identificarem como cristãos, entre os muçulmanos ocorre o mesmo. “É como aquelas pessoas que vão à igreja só por ir, que não praticam o que aprendem de bom.”
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Orações
Uma das particularidades mais marcantes dos muçulmanos são as orações. Elas precisam ser feitas pelo menos cinco vezes ao dia: por volta das 5h30, 12h10, 15h30, 17h45 e 19h. Cada uma com duração de dez minutos aproximadamente. Os fiéis devem estar sempre virados para o leste, onde nasce o sol e onde está Meca.
O islamismo tem ainda outras regras rígidas, como o jejum durante o Ramadã. Durante um mês, a alimentação só pode ser feita à noite e as relações sexuais devem ser suspensas. O consumo de carne suína e de bebidas alcoólicas, o uso de substâncias tóxicas e os jogos de azar também são expressamente proibidos em qualquer época.