Regional

Ibitinga finaliza projeto de desfavelamento

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Ibitinga - A trabalhadora rural Benedita Aparecida de Souza, 43 anos, sonhou durante longos anos em ter uma casa própria. O sonho poderá ser concretizado até o final deste ano graças a um convênio da prefeitura da Estância Turística de Ibitinga (a 90 quilômetros de Bauru) com o Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

O Projeto Desfavelamento pretende mudar a vida dos trabalhadores de baixa renda que não conseguiam ter uma casa com toda a infra-estrutura adequada ao cidadão.

São 95 casas com cerca de 40 metros quadrados construídas em sistema de mutirão. A prefeitura doa o terreno, a CDHU entra com o material e a mão-de-obra é dos mutirantes, futuros proprietários.

O pagamento do material é feito após a entrega do imóvel, financiado em 25 anos, com prestações que devem variar entre R$ 30 e R$ 50,00. O valor é possível de ser pago por pessoas como Benedita de Souza, que trabalhava na colheita da laranja. “Na colheita da laranja eu tenho um ganho mensal de cerca de R$ 400,00.”

A vida da trabalhadora rural, que tem três filhos, vai mudar quando ela finalmente conquistar seu sonho. “Eu morava no bairro São João Escócia, uma favela. Não agüentei, porque sofria furtos todos os dias. Mudei para o bairro Maria Luiza 1 e pago R$ 150,00 de aluguel”, diz.

A casa que foi sorteada para ela só espera o reboque interno. “Eu trabalho todos os dias. Tenho pressa que as casas fiquem prontas. Aqui mesmo arrumei um trabalho e ganho R$ 12,00 por dia. Faço a parte dos mutirantes que trabalham o dia todo e não podem comparecer”, confessa.

A casa de Benedita Souza é igual a de outras 95 do sistema de desfavelamento e as 200 do sistema mutirão, todas no núcleo Jardim Santo Antônio.

O núcleo, com previsão de entrega para o final deste ano, será entregue com toda a infra-estrutura, inclusive escola e creche para atender essa população.

Para o prefeito de Ibitinga, Florisvaldo Antônio Fiorentino, o projeto de desfavelamento vai atender uma necessidade do município. “Em Ibitinga temos três bolsões de pobreza. Um é ao redor do lixão e os outros dois, nos bairros São João Escócia e São Francisco. Na época em que foram aceitas as inscrições para o projeto, cadastramos 95 famílias. Hoje, há algumas na lista de espera”, explica.

O diferencial do projeto implantado em Ibitinga é que a casa do desfavelamento é igual a do mutirão. “Quando tudo estiver pronto, ninguém vai distinguir quem fez a compra pelo mutirão ou pelo projeto desfavelamento. Não haverá um bloco separado para eles. É uma maneira de incluí-los na sociedade”, alega Fiorentino.

Os problemas da região do lixão estão praticamente resolvidos. No município foi implantado a usina de compostagem e a criação de uma cooperativa vai ajudar aqueles que viviam do lixo. “Eles já estão trabalhando. Toda a renda é dividida entre eles e isso deve dar um ganho suficiente para que eles tenham uma vida digna”, aposta o prefeito.

Os moradores do bairro São Francisco e do São João Escócia foram contemplados com casas no desfavelamento. A área do Escócia é da prefeitura e no local queremos implantar um projeto social de geração de renda. Já a área do São Francisco é particular.

O secretário da Habitação do município, Lugero Coleone explica que as unidades habitacionais foram sorteadas visando a inclusão social, confirmando a intenção do prefeito. “As casas do projeto de desfavelamento estão misturadas com as do mutirão. Achamos que desta maneira não haverá discriminação, uma vez que todos vão estar no mesmo núcleo.”

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