Uma professora do ensino primário no interior de São Paulo, cansada e indignada por ensinar aos seus alunos o verbo malufar - eu malufo, tu malufas, ele... - resolveu inovar. Como era período eleitoral, muito sugestivo, por sinal, ensinou-lhes o verbo parlamentar.
- Crianças, estes dois verbos têm o mesmo significado, são da 1ª pessoa, verbos transitivos diretos (transitar livremente entre os três poderes a qualquer hora), verbo de ligação (une-se a qualquer partido, une-se em certos casos, a quadrilhas de sanguessugas). Tem como verbos auxiliares: sonegar, falsificar, enganar, escravizar, matar (de fome), sugar e também o verbo prometer, embora pertencer à segunda pessoa.
- Professora? - interrompeu um aluno.
- O padre falou lá na igreja que o verbo era Deus!
- Não, menino, retrucou a professora.
- Onde já se viu, comparar esse verbo com Deus é até um pecado, e continuou, blá, blá, blá... vamos à lousa.
Eu parlamento
Tu parlamentas
Ele...
Por um instante, a professora olhou para trás, viu Zezinho chorando debruçado na carteira bastante indignado, e perguntou-lhe:
- Zezinho, por que você não está escrevendo como os outros?
- Ah, professora, parlamentaram meu lápis!
Descobriu-se, mais tarde, que o Zezinho não saía da frente da televisão, seu programa favorito eram os “noticiários policiais”.
Para refletir: o PCC ataca a delegacia, para livrar seus comparsas. Os parlamentares atacam a democracia, com a mesma finalidade.
Luiz Tadeu Machado - pelos seus direitos - RG 5.355.467