Aos 84 anos, o advogado Carlos Sandrin (PT do B) concorre pela terceira vez à Câmara dos Deputados. Na primeira vez, em 1998, teve 336 votos e na eleição seguinte, obteve 282. Mesmo com esta performance, Sandrin acredita que desta vez será diferente, se colocando como a voz que vai se levantar contra a corrupção no País, como tantos nesta fase.
O advogado vai além. Para ele, caso não seja eleito, quem perde é o povo, pois não terá em Brasília um “representante combativo”, que lutará para melhorar a vida das pessoas. “Eu não perco nada se não for eleito. Quem perde é o povo. Porque eu tenho muitas idéias e projetos para apresentar”, disse.
O fraco desempenho nas eleições anteriores não assusta o candidato, pelo contrário, Sandrin afirma que não há, em Bauru, melhor candidato para representar os interesses da cidade junto ao governo federal, mesmo com as restrições que a cidade sofre por estar inadimplente com a União e não ter condições de receber recursos.
De acordo com ele, a confiança em que será eleito se justifica pelas várias eleições que disputou. “Sempre tenho concorrido, inclusive para vereador, já fui suplente, assumi o mandato de vereador, mas sempre fui traído pelos próprios colegas. Por isso não me canso de lutar e combater os corruptos”, afirmou.
A motivação para Sandrin ser candidato, segundo ele, foi ler reportagens sobre os gastos do governo federal com a compra do avião presidencial e com viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, no dia seguinte, notícias sobre a morte de índios no Mato Grosso. “Com tanto dinheiro que o governo gastou, os índios, que são os verdadeiros donos do Brasil, morrendo de fome. Isso me comoveu muito e eu decidi ser candidato para combater isso, porque nunca vimos coisa igual no Brasil”, ressaltou.
Carlos Sandrin acha que a idade avançada não é empecilho para disputar a eleição de outubro e, se ganhar, adianta que vai cumprir o mandato de quatro anos como deputado federal. “Vou para Brasília até a pé. Se alguém duvidar do meu estado físico e mental, convido qualquer um para fazer uma caminhada até Piratininga”, desafiou.
O candidato destacou que faz sua própria campanha, de porta em porta, já que não tem recursos para contratar cabos eleitorais. “Aos 84 anos, meu estado físico e mental é de um jovem de 19 anos”, frisou.
Propostas
O advogado Carlos Sandrin não cansa de falar que já tem 20 projetos prontos para apresentar, caso seja eleito. A maioria se refere a questões de abrangência nacional, como o fim da reeleição, diminuição de impostos, entre outros. Para Bauru, o candidato afirma que pretende trazer recursos a fundo perdido, para despoluir o ribeirão Bauru. Ele também quer reduzir o número de pedágios.
No entanto, a cidade não tem condições de receber recursos a fundo perdido, pois está inadimplente com a União e não possui o Certificado de Regulamentação Previdenciária (CRP). Apesar disso, o advogado acredita que pode trazer os recursos, mesmo com a prefeitura inadimplente. “Nós podemos conseguir isso, para que o povo não pague pela despoluição do ribeirão”, disse.
Outro ponto que o candidato destacou como fundamental é terminar o viaduto sobre a ferrovia, que começou a ser construído na gestão Tidei de Lima (PV) e não foi concluído. “Essa obra já podia ter terminado, mas não adianta. Esse povo não aceita nossas opiniões e são incompetentes”, comentou.
Carlos Sandrin destacou ainda que tem propostas para o Nordeste. Ele afirma que a proposta de utilizar água do rio São Francisco para irrigação das lavouras na região Nordeste é de sua autoria. De acordo com Sandrin, o governo do Sergipe utilizou sua idéia e hoje é o estado mais rico da região. “Vários sergipanos voltaram para sua terra porque melhorou lá”, afirmou.
Para Sandrin, se outros estados procederem da mesma forma, outros nordestinos voltarão para seus Estados de origem porque haverá emprego na região, e, com isso, aumentarão as vagas de emprego em São Paulo. “Seria muito bom para o Estado de São Paulo, que tem muitos nordestinos que vieram para cá em busca de trabalho, porque lá tem fome”, explicou.
____________________
Nas Cerejeiras
Não bastasse a eleição federal, o advogado ainda disse que tem pretensões de ser prefeito de Bauru. Ele, que já disputou o cargo em outras eleições, afirmou que muitas pessoas o abordam na rua, chamando-o de “futuro prefeito”. “Se eu chegar a ser prefeito de Bauru, você nem imagina a diferença que vai ser”, disse.
Ele aposta que os eleitores bauruenses estão cansados de ouvir promessas sem que elas sejam cumpridas. “Nós precisamos voltar ao passado, fazer aquilo que é necessário para a cidade crescer e que os políticos não estão fazendo”, disse.