A antena protetora da linha de cerol para motociclista possui, em sua extremidade, um gancho que prende a linha cortante e evita que o piloto da moto sofra cortes no pescoço. Sua eficácia é comprovada, mas usá-la ainda está longe de ser consenso entre os motociclistas. Luis Fernando Custódio, trabalhando há seis anos como entregador e mototaxista, não usa a antena protetora.
“Nunca tive e pretendo nunca instalar esse acessório. Não é nem questão de preço. Acho ele muito feio. Esteticamente, a moto fica horrível”, alega ele, que nunca sofreu acidentes com linhas cortantes, mas sabe dos perigos.
Para ele, a solução seria outra. “Os órgãos competentes têm que tomar uma atitude contra quem nos prejudica, não nos obrigar a instalar um item, sendo que estamos trabalhando, sem atrapalhar ninguém”, opina Custódio, que completa. “Se existisse uma fiscalização rigorosa e uma multa pesada, esse problema seria solucionado rapidamente”.
O proprietário de loja de acessórios para carros Marcos Paulo Martim, utiliza moto apenas para locomoção diária e também afirma não ter aderido ao acessório. “Olha, essa antena pode até ser boa, mas a minha moto é trail e, se eu instalar, ela vai ficar muito feia”, diz o comerciante, que confessa saber dos perigos de acidentes.
Acidente
Um acidente grave, levou o mototaxista Roberto Carlos Fagundes a instalar o item de segurança. “Há três anos, eu estava descendo a avenida Moussa Tobias a mais ou menos 60 Km/h. De repente senti uma dor forte no pescoço e o sangue começou a jorrar. Coloquei a mão no pescoço e me dirigi ao pronto-socorro na hora”, conta.
Fagundes precisou passar por uma cirurgia imediatamente após o acidente. “Eu tive sorte, o médico me disse que se o corte tivesse chegado até alguma artéria, eu morreria em 10 segundos”, revela o motociclista, que levou 48 pontos no local e, na semana em que teve alta médica, instalou a antena que evita tal tipo de acidente.
O acidente não abalou o mototaxista. “Nunca pensei em parar de andar de moto. Gastei R$ 15,00, tomei minhas precauções e hoje trabalho normalmente. Ela não me atrapalha em nada e acho até elegante”, afirma. No entanto, mesmo com o exemplo de Fagundes, quatro colegas de trabalho dele insistem em não instalar o item. “Eles só vão colocar quando acontecer alguma coisa”, finaliza.
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De fábrica
Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados de Brasília, propõe que as motos saiam de fábrica equipadas com a antena protetora de pipa com cerol. O Projeto de Lei 6378/05, de autoria do deputado Nilson Mourão (PT – AC), poderá ser aprovado em breve, já que a proposta tramita em caráter conclusivo na Câmara.
Outro projeto de lei (6905/06) referente ao assunto cerol também está em trâmite na Câmara dos Deputados. O deputado Francisco Gonçalves (PPS-MG) pretende altera a Lei de Contravenções Penais (3688/42) estabelecendo multa para quem utilizar ou fabricar a substância cortante.
No Estado de São Paulo, está em vigor, desde 6 de janeiro desse ano, a Lei Estadual 12.192, que proíbe a comercialização e a utilização da mistura de cola com pó de vidro. Ela prevê multa de 5 Ufesp (cerca de R$ 70,00) para quem for flagrado usando ou vendendo a mistura. Se o infrator for menor de idade, os pais são responsabilizados.