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PM é reconhecido por testemunhas no 2º dia de julgamento de chacina

Folhapress
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Rio - Três testemunhas ouvidas ontem, segundo dia do júri do soldado da PM Carlos Jorge Carvalho, o Carlinhos ou Carlos Cavalo, acusado de ter participado da chacina ocorrida em março de 2005 na Baixada Fluminense, o reconheceram como um dos atiradores que mataram 29 pessoas. O primeiro a reconhecê-lo foi o único sobrevivente do crime, baleado em uma das pernas no dia da chacina. Ele ainda usa muletas devido aos ferimentos.

O homem, que está no programa de proteção a testemunhas, chegou ao Tribunal do Júri de Nova Iguaçu de peruca e colete à prova de balas. O segundo e o terceiro foram homens que presenciaram a ação do suposto grupo de extermínio em um lava-rápido e em um bar de Queimados. Uma quarta testemunha também foi ouvida a pedido da acusação, neste caso o Ministério Público. Trata-se do dono de um bar que diz ter ouvido um grupo de PMs discutindo detalhes da ação, antes que ela ocorresse.

A previsão é que o júri acabe hoje. Carvalho foi denunciado (acusado formalmente) pelo Ministério Público por 29 homicídios qualificados - por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas -, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Outros quatro PMs são acusados dos mesmos crimes. Interrogatório Carvalho foi interrogado anteontem, no primeiro dia do júri. Ele negou participação na chacina e caiu em contradição.

Para o Ministério Público, ele atirou e foi responsável pelo empréstimo do carro usado para levar os atiradores de um ponto a outro. O principal problema da versão apresentada pelo PM foram as diferenças entre os roteiros de suas atividades no dia da chacina. Ele deu descrições diferentes nas três vezes em que prestou depoimento. Os horários também diferem dos apresentados por um amigo dele, dono do Gol prata que teria sido usado na chacina. O carro foi reconhecido por testemunhas.

Durante sua fala, o PM afirmou que pegou o carro emprestado para viajar a Barra de São João (RJ) e pagar salários a pedreiros que trabalhavam para ele em uma obra. Disse ainda que soube da chacina no dia seguinte, quando chegou à Baixada. Ele ainda revelou um encontro com uma ex-namorada, e disse que não havia relatado o encontro antes porque a mulher é casada. Carvalho surpreendeu ao acusar a Polícia Civil de ter plantado provas contra ele.

No local foram apreendidos um colete da Polícia Ferroviária e munição do 20.º Batalhão. Na data da chacina, o PM estava de férias.

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