Londres - Em um relatório a ser divulgado amanhã, a Anistia Internacional acusa Israel de ter atacado deliberadamente a infra-estrutura e os civis libaneses durante o conflito com o grupo terrorista Hizbollah. O relatório foi feito por uma missão da organização que visitou o Líbano e entrevistou dezenas de vítimas dos ataques, além de autoridades do país e de Israel.
Ele afirma que a destruição de edifícios públicos, estações elétricas, residências e instalações industriais “foi deliberada, parte integral da estratégia militar” de Israel, e não “efeito colateral” de ataques a alvos do Hizbollah.
“Oficiais israelenses disseram à Anistia que o potencial uso militar de certas instalações, como as elétricas e de combustível, torna-as alvos legítimos”, diz o relatório. “Mas Israel era obrigado a levar em conta o princípio da proporcionalidade, comparando a vantagem estratégica da destruição de uma estrada, por exemplo, com seus efeitos nocivos aos civis.”
A Força Aérea israelense fez mais de 7 mil ataques no Líbano entre 12 de julho e 14 de agosto, enquanto a Marinha de Israel conduziu 2.500 bombardeios, diz o relatório.
Segundo estima o governo libanês, 31 “pontos vitais” como aeroportos, estações de tratamento de água e esgoto, portos e usinas de energia foram total ou parcialmente destruídos, além de cerca de 80 pontes e 94 estradas.
“A ampla destruição de alvos civis somada a diversas declarações de oficiais israelenses sugere uma política de punição ao governo e ao povo libaneses, na tentativa de torná-los antagonistas do Hizbollah”, diz a Anistia.
A organização destaca que o conflito, iniciado após o Hizbollah ter invadido Israel e capturado dois soldados, causou a morte de civis em ambos os lados - mais de mil no Líbano e 40 em Israel. A organização conclui pedindo um inquérito internacional da ONU para apurar a conduta de Israel e do Hizbollah durante os ataques.
“Em anos de conflito, os dois lados cometeram repetidamente graves violações das leis humanitárias internacionais sem serem responsabilizados”, diz. “Se o respeito pelas leis de guerra deve ser levado a sério, uma investigação adequada das violações de ambos os lados no conflito é imperativa.”