Cultura

‘‘Carrossel’ tem mais influências de nós mesmos’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Leia a seguir os principais trechos da entrevista por telefone do baterista do Skank, Haroldo Ferretti, à reportagem do JC Cultura, ontem à tarde.

Jornal da Cidade - Depois do sucesso do primeiro CD do Skank, na época independente, a banda sempre teve contrato com uma grande gravadora. Ainda assim, percebe-se que vocês gozam de muita liberdade na produção dos discos. Como é a relação da banda com a Sony & BMG?

Haroldo Ferretti - Autonomia é uma coisa que sempre tivemos dentro da Sony, desde que chegamos na gravadora, com o disco independente, que já era em formato de CD. O fato do nosso primeiro disco ter alcançado sucesso em vendas, acho que credenciou a banda dentro da gravadora, ganhamos respeito para tomar decisões e fazer o que a gente escolheu. Nunca tivemos estresse com isso. O segundo álbum (“Calango”) foi ganhando confiança aos poucos, não foi de imediato, lutamos pelo disco e ele deu mais certo. Sempre foi dessa forma, sempre seguimos nossa intuição e a coisa deu certo. Obviamente, temos a gravadora como parceira, uma peça importante na jogada. Por mais que haja crise na indústria fonográfica e vemos as gravadoras, de forma geral, se queixando das vendas, ainda assim não existe um formato que funcione tão bem para o artista como a gravadora. Sempre buscamos ouvi-los porque é uma parceria.

JC - E no álbum novo, produzido nesse momento de crise da indústria, a relação também foi tranqüila?

Haroldo - Nesse novo álbum, por exemplo, foi unânime a escolha do single (“Uma Canção é Pra Isso”), não teve nenhum problema. “Carrossel” foi o disco que levamos mais tempo para formatar. E é o que tem mais cara de Skank. Dos últimos discos, é o que mais referência tem de nós mesmos, ele saiu de forma muito natural. No “Maquinarama”, estávamos numa fase transitória, querendo experimentar coisas diferentes na carreira, escutávamos álbuns de big beat... No “Carrossel”, o que tinha para ter de influência, já estava embutido na cabeça de cada um, não teve nenhum artista, nenhuma pesquisa. E é um álbum que já ganhou fãs dentro da gravadora. Temos muita expectativa com ele.

JC - As primeiras críticas sobre “Carrossel” dizem tanto que ele é um retorno à originalidade do som da banda dos primeiros anos, como que ele seria a última parte da trilogia com “Maquinarama” e “Cosmotron”. Algumas dessas opiniões está mais correta?

Haroldo - Sinceramente, está mais para a segunda, mas não que haja uma trilogia. No “Maquinarama”, estávamos tentando achar novos caminhos. O “Cosmotron” foi mais natural, veio reafirmar o que buscávamos. Muitos pensaram que o disco seria só uma viagem, e realmente não foi isso. Acho que se o “Carrossel” se assemelha ao passado mais longínquo do Skank, é o que há em todos os nossos discos, o fato de agirmos de forma independente, de gravarmos no nosso estúdio, sem forças exteriores exercendo qualquer pressão. Não ficamos enclausurados, trancados em um sítio. É um ritmo de estúdio normal. Mas vejo que o disco novo é mais próximo do “Cosmostron” e do “Radiola” (coletânea de hits dos últimos anos da banda, com quatro inéditas, lançada em 2005).

JC - Vocês costumam parar os shows para entrar em estúdio. Como foi a produção do “Carrossel”?

Haroldo - Já fizemos gravação de tudo quanto é jeito. Nesse disco, estávamos vindo de uma turnê, até novembro do ano passado, e escolhemos parar. Na época, não tinha nada pronto. Começamos a ir para o estúdio e isso foi diferente: o Samuel não fazia nada na casa dele, chegava ao estúdio com uma idéia e começava a tocar no violão, já com o teclado ligado, a bateria microfonada, e começávamos a desenvolver a idéia, o caminho para cada música. Ficávamos ligados na feitura das melodias até mandar algo para os letristas, que já recebiam a música arranjada, bem adiantada, com parte A, parte B, refrão, solo... Fomos aproveitando o momento certo do Samuel para compor. Ficaram ainda 10 canções de fora, sendo que 15 estão no disco. Abríamos uma música, ficávamos dias trabalhando. O álbum foi feito dessa forma, ao invés de aprofundar os arranjos, ficávamos mais na estrutura. Até porque o Chico (Neves, produtor), não estava no início, estava terminando o disco do Nando Reis. Então fazíamos tipo demos de luxo (risos).

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