Giovana Corrêa, 29 anos, está grávida de seu primeiro bebê. Realizando o pré-natal pela rede municipal de saúde, no quarto mês de gestação fez o primeiro ultra-som. Atualmente no sexto mês, ainda não conseguiu fazer o segundo. Com medo da criança nascer sem saber se o filho será menino ou menina, ela decidiu pagar pelo exame. “Eu ainda não comprei todo o enxoval. Preciso saber o que vai ser e tenho medo de não dar tempo”, conta.
Como Corrêa, centenas de gestantes aguardam o agendamento do ultra-som e correm o risco de ter o bebê sem passar pelo exame. De acordo com os números da Secretaria Municipal de Saúde, a fila de espera do ultra-som endovaginal passa dos 1.300 usuários. “Minha prima ficou esperando o agendamento e teve o bebê antes de marcarem o exame”, conta Aline Cristina de Oliveira, que está no 8.º mês de sua primeira gravidez. Ela também resolveu pagar para realizar o exame.
Aos 23 anos, Priscila Rodrigues de Paula está esperando seu quinto filho. “O caçula ainda não fez 1 ano”, conta. Ela diz que em todas as gestações fez acompanhamento pré-natal na rede municipal e que para todos os quatro filhos, conseguiu realizar os dois exames recomendados. “Esse aqui eu demorei, porque não sabia que estava grávida”, afirma. Sobre o tempo de espera para cada exame, ela diz que não existe uma média. “Você tem que ter sorte”, sentencia.
Com o objetivo de auxiliar o município e, principalmente, as gestantes, a Associação Hospitalar de Bauru pretende aumentar a cota de ultra-som de 23 para 105 ao mês. Para isso, vai relocar verba destinada a outros exames que não estavam atingindo o teto de atendimentos. A ajuda vai custar por mês cerca de R$ 2 mil a mais para a entidade, já que, segundo Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), paga somente R$ 7,00 por cada ultra-som.