Hoje é Dia da Infância, mas a comemoração deu lugar à reflexão. De acordo com dados estatísticos do Centro de Registro e Atenção aos Maus tratos à Infância (Crami), a violência contra a criança cresce, em média, 47,4% durante as férias, em relação aos meses letivos. E o principal vilão, por incrível que possa parecer, é a própria mãe.
De acordo com a assistente social do Crami, Damaris Silva de Oliveira, a média de notificações de abusos contra crianças é de 30 casos mensais. No entanto, durante os 31 dias de julho, mês de férias, esse número pulou para 57 infrações. Um índice ainda mais alto do que o registrado pelo instituto no mesmo mês, no ano passado, quando 46 crianças sofreram abusos.
O que assusta ainda mais é que as próprias genitoras são as principais vilãs. Dos 57 casos registrados no mês passado, em 56,6% deles, as mães foram as culpadas. Os outros agressores, somados, chegam a 43,4%, nem metade do número relativo às mães.
Damaris tem uma explicação para o fenômeno: mais tempo de convívio. “Nos meses de férias, as crianças passam mais tempo em casa, em contato com a mãe. Muitas vezes, a paciência se esgota elas perdem a cabeça”, explica a assistente social.
Segundo Damaris, durante o período letivo, a negligência assume o posto ocupado pela violência nas férias. “É muito recorrente na cidade, que os pais saiam para trabalhar e deixem os filhos, sozinhos, em casa, no máximo na companhia de irmão mais velho”, revela.
Conselho Tutelar
A presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Cássia Tosim Paley, atenta para outro fato importante para o aumento da violência: a falta de opções de lazer. “Muitas vezes, a vizinhança fica incomodada com a bagunça da crianças na rua, durante o período de férias. Se a periferia contasse com mais opções de atividades de lazer, ou mesmo educativas, o número de denúncias certamente diminuiriam”, acredita.
Os levantamento estatísticos do Conselho Tutelar só serão anunciados no início do próximo mês, no entanto a presidente adianta uma avaliação. “Posso garantir que nossa demanda de trabalho é muito grande, mas nós agimos mais em casos de negligência, drogas e evasão escolar”, aponta.
O Crami e o Conselho Tutelar agem em parceria, ambos fazem trabalho investigativo e de conscientização dos pais. A principal arma contra os maus-tratos é a denúncia anônima. Para relatar casos ao Crami, o telefone é 3238-3000, no Conselho Tutelar, o número é 3232-1422.
A Secretaria Municipal do Bem-estar Social (Sebes) oferece programas sociais para crianças em diversos bairros da cidade. O número de vagas não é grande. Para conseguir informações a respeito dos Centros de Convivência Infanto-juvenil, que desenvolvem atividades com crianças de 7 a 14 anos, além dos programas para os mais menores de 7 anos, basta ligar para o Sebes. Os telefone são 3227- 6677 e 3223-2009.
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Reflexão
Para a assistente social do Crami, Damaris Silva de Oliveira, as famílias precisam pensar mais a respeito da educação dos filhos. “Tenho notado que as crianças, cada vez mais, vêm perdendo o referencial de autoridade dentro de casa. Elas recebem educação na escola, na rua, de tios, vizinhos e não sabem mais a quem obedecer”, acredita.
“Quando um adulto bate em outro, é briga. Dá boletim de ocorrência e até delegacia. Agora quando a criança é agredida, costuma-se tomar como educação. Mas será que é mesmo?”, completa a assistente social.