Dois assuntos nos últimos dias têm ocupado espaço na mídia, os sanguessugas e os lucros dos bancos. Há algo em comum entre os parlamentares que se nutrem nas veias abertas do sofrido povo brasileiro através do Orçamento da União e os banqueiros que obtém pela política monetária do governo federal lucros dignos das histórias que tornaram Itu, em nosso Estado, capital das coisas absurdamente grandes. Os deputados e senadores, e é bom não esquecermos dos parceiros que habitam o Executivo e o submundo empresarial, implantaram uma espécie de ventosa através da qual sugam os recursos destinados à saúde pública como as sanguessugas, os bichinhos, sugam o sangue de suas vítimas. Assim, é agravado o calvário vivido pelos que necessitam dos préstimos desse setor público. Já os banqueiros, costumam utilizar outras “ventosas” mais sofisticadas e protegidas pelo manto da legalidade que são conhecidas como taxas de juro, tão ou mais danosas para a população como as que são usadas pelos sanguessugas.
O desfilar dos lucros dos bancos neste mês de agosto deixou todos, sem exceção, pensativos sobre o futuro deste nosso Brasil. A transferência de renda para essas instituições neste último semestre atingiu números brutais. A soma dos lucros dos principais bancos, estatais e privados, como Banco do Brasil (R$ 3,89 bi), Bradesco (R$ 3,14 bi), Itaú (2,96 bi), Caixa Econômica Federal (R$ 1,35 bi), Unibanco (R$ 1,07 bi) e Banespa/Santander (R$ 0,45 bi), alcança o lucro da Petrobrás, R$ 13 bilhões, que só foi possível devido à disparada do preço do petróleo em virtude da crise no Oriente Médio, com o barril triplicando de preço, de US$ 23,0 para mais de US$ 70,0. Até banco de fomento, o BNDES, cuja taxa de juro é bem menor, bateu recorde de lucro, R$ 3,3 bilhões neste primeiro semestre de 2006.
As autoridades monetárias do país, pressionadas por um presidente-candidato-à-reeleição, andaram anunciando medidas visando à redução dos juros através da queda do chamado “spread” bancário, a diferença entre as taxas de captação e as de empréstimo, que no Brasil são altíssimos. A Febraban, a federação dos bancos, deu contra e o assunto parece que morreu. Para se ter uma idéia a taxa básica de juros, a tal Selic, que remunera as aplicações em papeis da dívida pública e estabelece o piso de captação no mercado, é de 14,75% a/a. A taxa média de juro que as empresas, pessoa jurídica, pagaram nos últimos 12 meses foi de 66,31% a/a. E o simples mortal? Bem, esse pagou “irrisórios” 138,71% a/a, dados fornecidos pelo Banco Central. Não é à toa que os bancos querem que tudo continue na mesma. Mas, notícias dos últimos dias dão conta que a esmagadora maioria dos tomadores de empréstimos o fez, recentemente, para pagar dívidas vencidas. Confirmando, o IBGE divulgou, em 18/08/06, estudos que concluem ter o consumidor atingido “o limite” do seu endividamento, dando um basta no crédito como motor da economia. Os consumidores foram sanguessugados pelas escorchantes taxas de juro, o comércio já está sentindo essa realidade. A indústria está no limite de sua capacidade produtiva e não têm condições de investimento com as taxas de juros nesse patamar. Pobre Brasil, sugado por bancos e por representantes do povo. Onde estará nosso futuro? Nesta próxima eleição?
O autor, Tidei de Lima, foi deputado federal no período 1978/1992, secretário estadual da Agricultura no período 1987/1988 e prefeito de Bauru no período 1993/1996