Disputando sua quarta eleição consecutiva, a presidente do PT de Bauru, Estela Almagro, defendeu a renovação do Congresso Nacional, sobretudo na representação feminina em Brasília. Candidata a deputada federal, a petista afirma que a Câmara dos Deputados está “viciada”, por causa dos políticos que passam anos em um mesmo cargo, sem dar espaço para renovação. “Com todo respeito aos mais velhos, mas você acompanha uma sessão da Câmara e dá para contar o número de mulheres. Isso sem falar que têm deputados que já estavam ali antes da gente nascer, e continuam”, disse.
Após duas derrotas nas eleições municipais, em 2000 e 2004, a presidente do PT de Bauru parece ter desistido da idéia de ser prefeita da cidade. Segundo ela, o trabalho de intermediação entre o governo federal e entidades, a fez descobrir o perfil do Legislativo. “Tenho plena consciência dessa vocação legislativa”, afirmou, destacando que não pretende se candidatar em 2008, vencendo ou não a eleição de outubro.
Entretanto, a petista não se considera derrotada nas eleições anteriores. Segundo ela, cada eleição tem um papel diferente da outra. “Você tem uma missão dentro de cada eleição. Em alguns momentos, estrategicamente você pode ter que representar o partido no debate, no embate político”, frisou.
Para Estela, essa situação ocorreu em 2000, quando foi candidata a prefeita. “Nós não cogitávamos, de nenhuma maneira, o lançamento de candidatura própria na eleição de 2000. Mas, a conjuntura política fez com que nós apresentássemos um nome, porque tínhamos que estar representados nos debates, nos programas e travar essa discussão com os projetos políticos que estavam colocados para a cidade”, destacou.
A segunda eleição foi para deputada estadual em 2002, que, segundo Estela, também foi estratégica para as pretensões do partido. “Foi considerado, pela direção estadual do partido, que nosso papel na eleição de 2000 cumpriu as expectativas, e que nós estávamos preparados para o embate estadual e federal. Se nós não estávamos no leque de candidaturas prioritárias para o PT, o partido queria ter candidaturas na região, que estivessem preparadas para o embate político que seria decisivo”, destacou. A estratégia, na ocasião, era garantir palanque para o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o candidato a governador José Genoino.
Ética
Um dos assuntos espinhosos para o PT nas eleições deste ano é o problema da corrupção no governo Lula. Com o envolvimento de vários integrantes do partido e aliados em escândalos do mensalão e sanguessugas, os candidatos petistas terão que falar mais sobre corrupção, do que sobre propostas. Para Estela, esse debate é bem-vindo. Ela afirma estar preparada para falar com quem quer que seja sobre questões éticas. “Vamos continuar debatendo ética na política com a mesma naturalidade que fizemos nos últimos 26 anos. O PT tem 800 mil filiados e o erro de meia dúzia, de dez, de 20 ou de 100, não tira o brilho, nem o sonho, nem a utopia dos outros 700 e tantos mil, entre os quais eu me incluo”, salientou
De acordo com a candidata, só enxerga a corrupção atualmente aqueles que quiserem fechar os olhos para ela no passado. “Vou enfrentar com a mesma naturalidade com que o PSDB acha natural ter passado por todos os escândalos que não foram apurados e ter em seus quadros pessoas visivelmente envolvidas com esses escândalos ocorridos durante os oito anos de governo Fernando Henrique, com uma diferença: esses não foram apurados”, ressaltou.
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Propostas
Segundo a candidata do PT, a campanha está “fincada em um tripé”. Em primeiro lugar, o estímulo aos consórcios intermunicipais. A petista defende que as cidades da região tenham uma pauta de negociação comum com as esferas estadual e federal, para garantir melhorias. “As administrações costumam negociar de forma individualizada. Quando Bauru negocia com o governo estadual ou federal, tem um peso. Quando a região negocia, o peso é muito maior. E eu acredito que um mandato de deputado federal serve para impulsionar isso, para fazer com que os prefeitos sentem mais, para estimular esse tipo de debate”, disse.
O segundo ponto defendido é a criação de um escritório regional de suporte institucional para orientar prefeitos, vereadores, entidades não governamentais, entidades organizadas da sociedade civil, visando o acesso a programas e recursos do governo federal. A intenção é centralizar as ações em Bauru, mas atender toda região. “Com isso, você chega mais perto das cidades. Com isso, você dá a cara do mandato e as pessoas sabem onde te encontrar, seja para questionar, para brigar, criticar, ou pedir suporte”, destacou.
Outro tópico é o perfil do mandato, caso a petista seja eleita. Isso significa debater grandes temas, de âmbito nacional. “De que adianta um deputado federal que traz vários recursos, mas que não participa dos debates importantes da sociedade, sobre as formas corretas de utilizar esses recursos”, frisou.