Botucatu - Parte dos 324 médicos residentes que atendem no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu (100 quilômetros de Bauru) promoveu ontem um dia de paralisação reivindicando reajuste na bolsa auxílio, cumprimento de jornada de trabalho e melhores condições para desenvolver a residência médica. Os residentes representam 70% do corpo médico que atende na unidade hospitalar. Consultas nos ambulatórios foram remarcadas para outras datas. O HC da Unesp de Botucatu realiza 1.100 consultas/dia nos ambulatórios. O pronto-socorro atende diariamente entre 400 a 500 pacientes.
Os médicos residentes reivindicam reajuste de 53,7% sobre o valor da bolsa auxílio estipulada, hoje, em cerca de R$ 1.200,00. A presidente da Associação dos Médicos Residentes de Botucatu Érica Vasques Trench esclarece que esse índice representa a inflação acumulada nos últimos cinco anos. Mesmo com uma sinalização de que pode ser dado aumento de 30%, os residentes resolveram realizar as 24 horas de paralisação, em um movimento nacional. “Já sabíamos desse valor quando houve uma reunião, há 15 dias, com representantes dos Ministérios da Saúde e Educação. Não é nada oficial porque é só uma intenção de dar o reajuste”, justifica.
Como noticiou o JC na edição de quarta-feira, a direção do HC adotou esquema de atendimento com prioridade para pacientes de casos de urgência e emergência. Segundo Trench, havia médicos residentes cobrindo o pronto-socorro, e tinha um residente de cada especialidade de plantão nas enfermarias para assistir pacientes internados.
A residência médica é uma especialização para o profissional da saúde. Ele pode atuar tanto em hospitais mantidos por universidades, como em instituições hospitalares que tenham o programa de residência médica. Além do aumento na bolsa-auxílio, os residentes reivindicam cumprimento das 60 horas semanais. Trench alega que há casos de médicos residentes cumprindo jornadas de até 100 horas semanais. Outra exigência do movimento é a folga após plantões.
No período da manhã de ontem, parte dos médicos residentes realizou manifestações no câmpus e na frente do PS de Rubião Júnior, ato retomado no período da tarde.