Marília - O Centro de Pesquisas em Diabetes da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) está selecionando voluntários para testes com um novo medicamento para tratamento da diabetes tipo 2. Desenvolvido por um laboratório americano, o novo medicamento deve trazer várias vantagens em relação aos vendidos no mercado atualmente.
Segundo o coordenador geral do Centro de Pesquisas da Famema, José Augusto Sgarbi, o medicamento, que está na terceira fase de testes, se sobressai em relação aos atuais remédios para o tratamento da doença, em vários aspectos.
O principal deles é que a droga age no organismo humano somente quanto for necessário, ou seja, quando a glicemia (taxa de açúcar no sangue) estiver alta. Os atuais medicamentos, segundo o coordenador, agem o tempo todo no sangue da pessoa, inclusive quando a taxa de glicose está normal e, neste caso, pode acarretar em uma hipoglicemia (queda acentuada de açúcar no sangue). “Neste medicamento dificilmente haverá hipoglicemia com ele (o paciente). É como se fosse um medicamento inteligente”, comenta. Além disso, o novo medicamento também inibe o apetite (a maioria dos pacientes diabéticos são obesos) e age de forma protetora sobre os pâncreas (órgão que gera a insulina), enquanto os atuais medicamentos acabam desgastando este órgão.
A primeira fase dos testes em humanos (a de maior risco) foi feita com cerca de 100 pacientes no País de origem onde foi descoberta a molécula que permitiu criar a nova classe de drogas. Na segunda fase dos estudos a droga foi testada em 3 mil pacientes do mundo todo, inclusive do Brasil. “Essa nova classe de drogas, que se chama incretinas, tem um efeito protetor sobre as células beta-pancreática. Em animais mostrou até ser regeneradora estimulando a formação de novas células produtoras de insulinas. Esse efeito ainda não se sabe se vai se repetir em humanos”, lembra o coordenador.
De acordo com Sgarbi, a realização de estudos com o novo medicamento, no Centro de Pesquisas em Diabetes da Famema, foi autorizado por órgãos oficiais como o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) além do comitê de ética local da faculdade, em Marília.
O coordenador explica que na primeira fase dos estudos (já concluída) participaram 30 voluntários. “Nesta fase se verificou os efeitos colaterais, a eficácia clínica do medicamento, se ele é seguro ou não. Hoje sabemos que é uma droga segura e que os efeitos colaterais são mínimos (pode causar náuseas). É claro que existem sempre os riscos imprevistos porque é uma droga nova”, explica Sgarbi.
Ele conta que a segunda fase dos estudos levou um ano e agora os cerca de 10 profissionais que atuam no Centro estão realizando a terceira fase do projeto. Nesta fase, de acordo com Sgarbi, será avaliado a eficácia do medicamento e qual será a dosagem certa a ser aplicada assim como a melhor forma e horário para administrar o remédio.
Voluntários
O coordenador lembra também que ainda não estão preenchidas as 30 vagas disponíveis para os voluntários que queiram participar dos estudos. Até o momento, a equipe de profissionais do Centro da Famema conseguiu selecionar somente 14 pacientes. “Estamos no processo de recrutamento dos pacientes. Tem uma série de critérios que são exigidos. O paciente não pode tomar insulina ou o medicamento Meteformina. Na verdade tem uma série de critérios clínicos que tem de enquadrar para entrar no estudo. Também é feita um avaliação rigorosa do fígado e do rim (do paciente)”, avisa o coordenador.
Sgarbi acredita que os estudos devem terminar daqui há dois anos e somente após este período o FDA poderá ou não liberar o medicamento para o mercado.
• Serviço
As pessoas com idade entre 18 a 77 anos com diabetes tipo 2 e que estejam interessadas em participar voluntariamente dos estudos poderão obter mais informações no Centro de Pesquisa em Diabetes, através do telefone (14) 3402-1708 (falar com Célia), em horário comercial.