Oaxaca - Uma greve de professores no Estado de Oaxaca, sul do México, transformou-se na mais violenta revolta popular do país desde o levante liderado pelo Subcomandante Marcos em 1994 em Chiapas.
Professores, sindicalistas, camponeses e um pequeno grupo guerrilheiro, a Frente Revolucionária Popular, criaram a Assembléia Popular do Povo de Oaxaca e ocuparam os principais prédios públicos da capital do Estado, também chamada Oaxaca (pronuncia-se “oarraca”).
O movimento exige a renúncia do governador e mais recursos para o Estado. O conflito só comprova a tensão social do país, que ainda discute quem venceu a eleição presidencial de 2 de julho. A esquerda denunciou fraudes.
Mais de 70 mil professores entraram em greve em maio, quando há paralisações anuais por conta da renegociação salarial. Só que o governador não concedeu nenhum aumento e ordenou uma violenta repressão para desalojá-los da praça principal de Oaxaca.
Mais de 1.000 policiais atacaram os grevistas acampados com gás lacrimogêneo em 15 de junho.
Até agora, o presidente Vicente Fox se negou a intervir, dizendo que se tratava de um problema “local”. Agora, uma inevitável intervenção pode gerar mais violência.
Pobreza
O protesto dos professores ganhou o apoio imediato em um Estado miserável. Oaxaca vive da agricultura e, mais recentemente, do turismo. Dos 32 estados mexicanos, é o segundo pior em praticamente todos os indicadores sociais, acima apenas de Chiapas.
Cerca de 20% dos 3,3 milhões de habitantes é indígena - 80% dos indígenas vivem da agricultura de subsistência e 60% das casas do Estado são de piso batido (em todo o México, o índice é de 15%).
“Há muita raiva e descontentamento em um Estado com problemas ancestrais”, diz o produtor cultural Ignacio Toscano, que dirige uma ONG de formação musical em Oaxaca.