Polícia

Sindcop quer afastar diretor do IPA

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro Oeste Paulista (Sindcop), com sede em Bauru, entrou em junho com uma ação na Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) pedindo o afastamento do diretor do centro de segurança e disciplina do Instituto Penal Agrícola (IPA), Juarez Targino. De acordo com a representação, ele teria impedido a transferência de um detento que mantinha um celular em sua cela. Targino alega que a transferência não foi autorizada porque os funcionários não seguiram o protocolo, mas que no dia seguinte, o presidiário foi removido.

No dia 19 de junho, foi protocolada a representação administrativa endereçada ao secretário Antônio Ferreira Pinto. No documento, o sindicato citou o episódio que motivou o pedido de afastamento de Targino. No documento, os funcionários relatam que durante a contagem dos presos encontraram um celular sendo recarregado em cima de uma das camas da cela 93.

Os agentes pediram ao presidiário suspeito de ser o dono do aparelho que fosse até a chefia. Ele teria negado ser o dono do telefone e disse não saber de quem era. O presidiário teria tentado correr e teve de se contido pelos funcionários. Enquanto se debatia, dizia que seus direitos estavam sendo feridos e que os agentes estavam abusando de autoridade.

Após o episódio, os funcionários tentaram transferir o preso para o Centro de Detenção Provisória (CDP), mas a unidade estava sem vagas. A Penitenciária de Avaré tinha condições de receber o detento, mas de acordo com o que os agentes relataram na representação, Targino teria impedido a transferência, devolvendo o presidiário à sua cela. Segundo o sindicato, o diretor não teria cumprido o seu dever. Além disso, acusam Targino de informar ao detento de que ele só estaria sendo transferido por exigência do funcionário que teria flagrado o celular.

De acordo com Targino, depois de encontrar o celular, os agentes deveriam seguir o protocolo de segurança, que é informar o diretor e lavrar um boletim de ocorrência. Como nenhuma dessas ações foi tomada, ele teve de impedir a transferência. Mas ressalta que na madrugada seguinte, o detento foi levado para a unidade de Avaré. Ele acredita que a representação tem caráter pessoal e que vai esperar a conclusão da sindicância para tomar medidas legais contra os funcionários.

Segundo Gilberto de Assis de Oliveira, diretor do IPA, uma sindicância foi aberta para apurar o caso, na chefia da Coordenadoria da Região Noroeste do Estado da SAP. Segundo ele, a apuração ainda não terminou. O JC procurou a SAP no final da tarde de ontem para verificar o andamento da sindicância, mas o departamento responsável pelo caso já tinha encerrado o expediente.

O IPA é um presídio de regime semi-aberto que funciona em 271 alqueires com criações de gado, porco, capivara e ovinos e agricultura. No último levantamento da SAP, o IPA tinha 1.087 presos.

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