Bairros

Pousada 2 pára ônibus por asfalto

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Se para a população em geral é difícil enfrentar o tempo seco, imagine as dificuldades para aqueles moram em ruas de terra. Quando venta, a poeira sobe e entra nas casas. Tosse, espirros, olhos lacrimejando e até asma tornam-se doenças freqüentes. Os moradores da Pousada da Esperança 2, em Bauru, já perderam as contas de quantas pessoas na família estão com problemas respiratórios e alergia. Ontem de manhã, eles protestaram pela quarta vez pedindo asfalto.

A estratégia foi a mesma: parar ônibus de transporte coletivo para chamar a atenção do poder público. Por volta das 10h, colocaram galhos de árvore na quadra 1 da rua Antônio Gerônimo da Silva e sete ônibus foram impedidos de passar pela via. O transporte só voltou ao normal no final por volta das 15h. No início da tarde, os manifestantes se reuniram no final de parada dos ônibus no bairro, impedindo a saída dos veículos. Os moradores aguardaram algum representante da Secretaria de Administrações Regionais (Sear), mas ninguém apareceu.

Os braços e pernas cheios de pequenas bolhas brancas revelam a alergia que Sara Borges Domingues, 5 anos, enfrenta há um ano. Preocupada, a mãe Ivani Borges dos Santos tem sempre em mãos um creme para hidratar a pele da filha. “É por causa da poeira seca da terra. Ela tem que usar creme toda hora, mas mesmo assim a alergia não passa”, conta. “O médico falou que ela não pode ficar perto de terra, mas como vou fazer?”, pergunta a mãe.

Na casa da família Natalino também não é diferente. Desde que Giovana Lopes Natalino sofre com a rinite, os pais precisam gastar mais dinheiro com medicamento. “Antes, comprávamos um remédio que custa R$ 15,00. Agora, como a rinite dela piorou, o remédio é mais forte e custa R$ 30,00. O pior é que estou desempregado”, preocupa-se o pai, Wilson Natalino.

Para o presidente da Associação de Moradores do Alto da Pousada, Carlos Roberto Figueira, só fazendo protestos que consegue-se melhorias. “Já tentamos reclamar, pedir, mas não tem jeito. Só quando paramos os ônibus e fazemos protesto que somos atendidos”, diz.

Bloquete

O secretário municipal de Administrações Regionais, Nélson Fio, informou que em pelo menos cinco ruas do bairro serão colocados bloquetes (sextavados feitos com uma mistura de cimento, pedra e areia). “Os presidentes de associações foram convocados para apontarem quais ruas têm prioridade nos bairros. A Pousada 2 foi um delas”, diz. A previsão é que as obras comecem até o início do ano que vem.

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