Jaú – Fila de dobrar quarteirão, calor e desânimo foi o que vivenciaram dezenas de trabalhadores da Saúde, ontem, na frente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Jaú e Região (47 quilômetros de Bauru). Ontem foi o último dia para que os profissionais protocolassem cartas solicitando a suspensão de desconto da contribuição sindical de 6% nos salários, já no pagamento de setembro. No período da manhã, os funcionários da Saúde foram surpreendidos quando chegaram à sede da entidade sindical e encontraram as portas fechadas. Os arredores da rua Humaitá, local da sede do sindicato, foram tomados por uma fila que só crescia desde o início da manhã. Havia enfermeiros que saíram dos plantões do Hospital Amaral Carvalho, Santa Casa e São Judas direto para a fila, também formada por pessoas de cidades vizinhas. A recepcionista do Hospital São Judas, Adriane Batchio, chegou à sede do sindicato às 7h e já havia fila. Ela desistiu às 9h, quando percebeu que a entidade não atenderia ontem.
Batchio diz que entende a necessidade da contribuição sindical, porém afirma que é um absurdo receber cerca de 2% de aumento salarial e ser descontada em 6%. Conforme suas contas, o valor da contribuição é de R$ 30,00 a R$ 37,00.
A recepcionista da Santa Casa afirma não acreditar que seja possível impedir o débito de assistência à entidade. “Uma pessoa que trabalha aqui (Santa Casa) há mais tempo do que eu disse que no ano passado protocolou e não adiantou nada, porque foi descontado do mesmo jeito”, explica Batchio.
Batchio conta que, no final da manhã, os trabalhadores se dirigiram à delegacia de polícia para formular uma queixa, porém foram orientados a procurar a Delegacia do Ministério do Trabalho em Jaú. O desconto é permitido mesmo tramitando um recurso contra a cobrança na Justiça.
O JC tentou contato, ontem, com a presidente da entidade, Maria Jerusa de Abreu, porém até o fechamento desta edição não houve retorno.