Nacional

‘Suposta ligação PT-PCC é bobagem'

Por Hudson Corrêa | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Campo Grande - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou ontem em Campo Grande (MS) que é uma “bobagem” a suposta ligação entre petistas e a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele disse ainda achar “estranho” o vazamento, em época de eleição, da gravação telefônica onde dois presos da facção falam sobre o PT. Indagado se poderia ser uma armação do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, como acusa o PT, o ministro respondeu apenas não ter “a menor idéia”.

Na quarta-feira, a “Folha” publicou trechos de uma gravação telefônica - feita pela Promotoria de Justiça de Presidente Venceslau (SP), com autorização judicial - na qual dois presos ligados ao PCC combinam ataques contra políticos, menos os do PT. Anderson de Jesus Parro, o Moringa, e Osmar Gonçalves do Nascimento, o Magrelo, citam como alvos políticos do PSDB.

A conversa ocorreu em 12 de maio, quando começaram atentados do PCC. Anteontem Saulo afirmou que inquéritos apontam uma “correlação” entre petistas e o PCC. O secretário não forneceu, porém, o número de inquéritos nem os nomes dos envolvidos. “Eu estou acompanhando (as reportagens da “Folha”). Eu acho uma bobagem. Acho uma coisa que nem devia ter saído nesta época de eleição porque não se sabe se tem um inquérito. Não se sabe se foi investigado”, afirmou o ministro. “É uma conversa entre anônimos que ninguém sabe o que é. De modo que acho muito estranho que tenha vazado isso (as gravações)”, afirmou.

Em seguida, a assessoria de Thomaz Bastos interrompeu a entrevista pois o ministro tinha uma reunião sobre segurança pública com o governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. Thomaz Bastos disse ser “uma exceção” a prisão de um policial integrante da Força Nacional de Segurança Pública na quarta-feira, acusado de facilitar a entrada de celulares para integrantes do PCC em presídios.

Trabalhando no grupo de motociclistas da PM em Campo Grande, o policial não estava em missão pela Força Nacional, mas poderia ser convocado a qualquer momento. “É uma coisa que acontece. É uma exceção que confirma a regra da Força Nacional, que é de correção, entusiasmo cívico e dever bem cumprido. Ele (o policial) já foi desligado (da Força Nacional). Agora vai se defender e ter oportunidade de demonstrar sua inocência”, afirmou.

O ministro defendeu ainda o sistema de isolamento de presos, medida criticada pelo PCC. “Eu acredito que nosso sistema penitenciário federal vai estabelecer um novo paradigma (...). O sujeito vai para lá e se desliga de vez de sua quadrilha porque fica isolado”, afirmou o ministro, que veio a Campo Grande assinar convênios com o governador Zeca do PT.

Comentários

Comentários