Irlanda - Um avião da companhia aérea irlandesa Aer Lingus procedente de Nova York foi detido no aeroporto de Shannon, oeste da Irlanda, devido a um alerta de segurança, informaram fontes policiais, ontem. Após revistar o avião e interrogar seus 239 passageiros, a Garda (polícia irlandesa) suspendeu o alerta, causado por uma chamada telefônica que dizia haver explosivos a bordo. Não há informações sobre a investigação e aparentemente foi um alarme falso.
O avião, que aterrissou normalmente em Shannon às 3h45 (de Brasília), foi esvaziado imediatamente. Um porta-voz da Aer Lingus confirmou à emissora RTE que “houve um alerta em um dos vôos entre Nova York e Shannon, depois que a Garda recebeu um telefonema na madrugada passada”. A fonte disse que a Garda recebeu o telefonema por volta de meia-noite (de Brasília) e que a aeronave aterrissou sem problemas e como previsto em Shannon.
Eugene Pratt, porta-voz do aeroporto de Shannon, disse à rede BBC que o telefonema que causou o alerta foi feito à uma delegacia em Dublin. “Foi simplesmente uma chamada telefônica que se referia ao vôo pelo número e mencionava alguns explosivos potentes”, disse. Dick Butler, chefe de operações da Aer Lingus, disse que o telefonema mencionava um “explosivo líquido” a bordo. “A pessoa que telefonou se identificou como membro da rede terrorista Al Qaeda (de Osama bin Laden) e falou com um forte sotaque de Dublin” disse ele à RTE.
A segurança foi reforçada em aeroportos do mundo inteiro depois do dia 10 de agosto, quando a polícia britânica afirmou ter frustrado um suposto plano terrorista que explodiria aviões comerciais em vôos entre EUA e Reino Unido.
Medo
Um pacote suspeito fez disparar o alarme do Aeroporto Internacional de Miami (EUA) na quinta-feira, causando o fechamento de parte da área de bagagens extraviadas por 90 minutos, mas nada foi encontrado.
Autoridades holandesas afirmaram, também anteontem, que não encontraram explosivos nem ameaças terroristas no avião americano que retornou escoltado por caças F-16 ao aeroporto Schiphol de Amsterdã na quarta-feira. Os 12 passageiros detidos por comportamento suspeito foram libertados sem acusações.
Um avião britânico que se dirigia para um resort no Egito fez um pouso de emergência no sul da Itália na última sexta-feira, depois que o piloto emitiu um alerta de suspeita de bomba a bordo, que posteriormente foi declarado como “alarme falso” por autoridades. Na quinta-feira passada (17), um terminal do Aeroporto Tri-State, na Virgínia Ocidental (EUA), foi esvaziado depois que um cão treinado farejou “resíduos de explosivo” em duas garrafas de plástico encontradas na bagagem de mão de uma passageira. Após análises, descobriu-se que o líquido suspeito era um creme para limpeza de pele, informou o FBI (polícia federal americana).
O fato ocorreu apenas 24 horas depois de um avião da companhia americana United Airlines -que cumpria rota Londres-Washington- ter sido desviado para o Aeroporto Logan, em Boston, por causa de uma confusão entre uma mulher com claustrofobia e a tripulação do vôo.
Plano
Após a onda de ameaças terroristas iniciada no último dia 10, autoridades dos EUA e da Europa deram início a uma campanha para aumentar a capacidade de investigar passageiros de companhias aéreas. O secretário de Segurança Interna dos EUA, Michael Chertoff, propôs um plano de acesso a informações como dados pessoais, itinerários, pagamentos de passagens e reservas de hotéis.
Na Europa, há propostas de permitir acesso a bancos de dados com informações pessoais dos passageiros. As propostas têm causado protestos por parte de organizações de defesa das liberdades civis e da privacidade.