"Na frente da minha escola, havia uma rádio e quando tinha 15 anos pedi para trabalhar como locutor. Fiz um teste, o diretor da rádio gostou e recebi meu primeiro cachê. Isso foi em Três Lagoas"
Se a vida é um “filme”, a do publicitário, empresário e jornalista Kleber Santos pode ser considerada um longa-metragem em sua área de atuação – o mundo da comunicação. E com direito a extras de gravação. Isto porque aos 45 anos ele acumula uma grande experiência em comunicação, atuando tanto nos bastidores como também em frente às câmeras e convivendo com grandes nomes do meio, como Carlos Nascimento, Willian Bonner, Amauri Soares, entre outros.
Foi repórter da Rede Globo durante dez anos, se especializando em telejornalismo regional. Ensinou TV como docente do curso de jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, onde obteve seu diploma. A vida profissional de Kleber é dividida em fases. Depois de se destacar como repórter televisivo, se tornou sócio de um canal de TV regional, assumiu e o cargo de diretor superintendente do Canal 4, a Band Bauru, e, por meio da emissora, implantou uma equipe forte e ampliou o espaço para a comunidade.
O roteiro de Kleber não pára aí. Desejando ter seu próprio negócio, ele decidiu montar a São Paulo Centro Produções Estratégicas em Filmes e Vídeos, que há cinco anos no mercado possui clientes como a Pirelli e o Grupo Telefônica e oferece serviços em diferentes áreas da comunicação, desde campanhas publicitárias até vídeos corporativos, passando ainda pela produção de videoclipes. Mesmo com tantas atividades, Kleber garante que não falta tempo para se dedicar à esposa, Ana, e aos filhos. “A família é a base de tudo”, afirma ele, nesta entrevista concedida ao Jornal da Cidade.
Nascido em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Kleber se denomina um bauruense “de coração” e por opção. Escolheu a cidade para morar e aposta em um futuro promissor para Bauru. Estes e outros assuntos podem ser conferidos na entrevista a seguir.
Jornal da Cidade - Por que o senhor optou por morar no Interior? Kleber santos – Divido o meu tempo entre Bauru e São Paulo. Mas o mais importante disso é que não perdemos a raiz. Eu gosto muito de Bauru, cidade em que fiz grandes amizades e local onde meus filhos nasceram. Sou matogrossense de nascimento e bauruense de coração e moro em Bauru por opção. O melhor da cidade ainda há por vir. Acredito no futuro de Bauru como líder no desenvolvimento porque, mais do que o privilégio da localização geográfica, a região de Bauru tem vocação.
JC – Quando teve seu primeiro contato com a área de comunicação? Kleber - Desde criança tive essa vocação para comunicação. Na minha cidade não tinha jornal diário, mas em compensação, no armazém dos meus pais chegava o jornal “O Estadão” em fardos para embrulhar as mercadorias e eu os lia sempre. Fui me apaixonando e me familiarizando com o jornalismo. Na frente da minha escola, havia uma rádio e, quando tinha 15 anos, pedi para trabalhar como locutor. Fiz um teste, o diretor da rádio gostou e recebi meu primeiro cachê em rádio, em Três Lagoas. Logo recebi um convite para trabalhar em uma rádio de Andradina, pedi transferência na escola e fui para lá, onde também tive oportunidade de escrever para a Folha de São Paulo. O diretor da rádio era repórter do jornal e resolveu criar uma estratégia, na qual eu escrevia matérias para o jornal, mas assinando o nome dele. Depois de um mês, a Folha elogiou as matérias e ele revelou quem estava escrevendo. Com 17 anos eu comecei a escrever para a Folha. Em seguida, passei a fazer matérias para escrevi para o Notícias Populares e também fui correspondente da rádio Capital em São Paulo e na rádio Record.
JC – Quando passou a atuar como repórter televisivo? Kleber - Fui correspondente do jornal O Globo e entrei na TV Globo, em Bauru, na década de 80, a convite do diretor regional da emissora, que era o Luiz Malavolta. Na primeira semana que fiquei na redação fui para Jaú durante uma reportagem sobre o jogo do bicho. Mas ao invés de somente acompanhar, eu fiz a matéria. A emissora mandou esta reportagem, que era um teste, para ser avaliada em São Paulo. E o Bom Dia São Paulo colocou-a no ar. Aí comecei a trabalhei na TV Globo, onde fiquei durante dez anos. Participei da equipe que iniciou a regionalização da TV e guardo muitos fatos interessantes desta época.
JC – Quais, por exemplo? Kleber – Na época tive a oportunidade de trabalhar com Gilberto Barros, o Luiz Carlos Azenha, o Luiz Malavolta, Arnaldo Duran, Gérson de Souza. Foi uma fase de pioneirismo e desafios. A TV Globo de Bauru transmitia para uma área muito grande no Interior do Estado de São Paulo. Nós tínhamos uma única câmera para fazer as reportagens e usar na gravação em estúdio. Lembro que costumava sair para fazer uma reportagem em outra cidade, por exemplo, e tinha que retornar em tempo hábil para que a mesma câmera pudesse ser utilizada no estúdio.
JC – A falta de estrutura material chegou a atrapalhar seu trabalho? Kleber – Tínhamos poucos equipamentos, sim, mas contávamos com garra, determinação, criatividade, entusiasmo e muita motivação em estar participando de um projeto pioneiro. E tudo isto me motiva. Estou sempre procurando melhorar meu trabalho e vencer os desafios. Neste período na TV Globo tive a oportunidade de fazer muitas reportagens para os jornais regionais, passei pela edição, pela pauta e acabei conhecendo bem a região. E além disso, fazia reportagens para o Jornal Hoje, Globo Rural e Jornal da Globo.
JC – Cite algumas matérias curiosas em sua carreira. Kleber – Nas eleições, por exemplo, durante 15 dias, eu e o Azenha fizemos uma série de reportagens para o Jornal Nacional sobre fatos curiosos na política. Entre eles, um caso em que o pai da moça não deixava a filha terminar o namoro no período eleitoral porque a cidade era pequena e, se ela brigasse com o namorado, perderia os votos da família dele. Outra matéria interessante envolveu uma menina que tinha nome de menino e por isto ela não conseguia se matricular em uma escola. Esta matéria foi veiculada pelo Fantástico e, assim que o programa terminou, o ministro da Educação ligou na redação da emissora e o problema da menina foi resolvido na segunda-feira. Acho muito importante que na comunicação, não apenas se relate o fato, mas a reportagem também possa contribuir para mudanças.
JC - Quais reportagens o senhor destaca como marcantes em sua carreira? Kleber - Uma das reportagens que me marcou foi a queda do avião da TAM em Bauru. Naquele dia eu estava indo para Jaú fazer uma outra quando nossa equipe ficou sabendo do acidente, que havia ocorrido bem próximo do local onde estávamos. Havia uma antena da TV Globo em um prédio localizado bem próximo do local e, pela primeira vez, foi possível transmitir praticamente ao vivo todos os detalhes da queda do avião, como o resgate das pessoas. Fizemos uma cobertura completa da queda do avião que provocou a morte do piloto e de uma mulher que estava no carro. Devido à instantaneidade, esta foi considerada uma das três melhores reportagens da televisão daquele ano.
JC – Dentro da área de jornalismo, o senhor criou laços de amizade? Kleber – Sim. Na Globo, por exemplo, nasceram amizades duradouras e sólidas, como a do Carlos Nascimento, que é padrinho do meu filho Felipe, de 10 anos. Ao longo desses anos todos, além da satisfação pessoal e profissional, tive a oportunidade não só de trabalhar e aprender muito com outros profissionais, mas também criar amizades e acompanhar o surgimento de alguns talentos, como o Amauri Soares, que foi meu colega de sala na Unesp. Ele começou a participar do SPTV 3, na edição, e rapidamente foi convidado para trabalhar no Bom Dia em São Paulo. Hoje ele é o diretor da Globo em Nova York.
JC- Como foi a história do Willian Bonner trazer seu terno de casamento? Kleber – Fui a São Paulo comprar meu terno de casamento, mas tive de deixá-lo por lá para uns ajustes. O Bonner, que eu já conhecia e era meu colega na TV Globo, foi junto e se ofereceu para trazê-lo a Bauru dias depois, pois viria para cá mesmo para visitar uma namorada, evidentemente antes de conhecer a Fátima Bernardes (risos)...
JC – E com o Gilberto Barros (Leão), há algumas passagem? Kleber – Sim. O Gilberto era meu padrinho de casamento. Trabalhava aqui na antiga rádio Terra Branca, atual 710. Só que no dia de meu casamento, ele foi chamado para um teste na rádio Globo de São Paulo, onde iniciou sua brilhante carreira. Ele quis me dar de presente sua ausência no teste e a presença no casamento. Imediatamente, o demovi da idéia, pois aquele era seu grande sonho começando a se tornar realidade. Não deu outra. Ele foi e nem é preciso dizer mais nada. Outro amigo, o Celso Pelosi, o substituiu.
JC – Como foi sua experiência acadêmica? Kleber – Fiz curso de especialização em ensino superior e em seguida fui convidado para ser professor de telejornalismo. Foi um período muito gratificante porque aprendi muito com os alunos. A grande virtude em ensinar é aprender. Ao alunos sempre trazem questionamentos, indagações e experimentos. Fui professor de telejornalismo durante três anos.
JC – Como entrou na área de produção? Kleber – Depois de dez anos na TV Globo, achei que estava na hora de ter minha própria atividade empresarial. Montei uma produtora chamada Lead Comunicação, que tinha um programa independente de televisão. Na época, me tornei sócio do Canal 4 de Bauru, a Bandeirantes. Fui diretor superintendente da emissora, que cobria uma região de cerca de 200 municípios. Na minha primeira fase de experiência profissional eu fui repórter da TV Globo. Já na segunda, eu pude implantar alguns projetos que eu imaginava. Implantamos uma equipe regional forte, com dois ou três jornais diários e programas de variedades. Um dos destaques deste período foi a realização do primeiro debate da história da televisão brasileira realizado fora da Capital entre candidatos a governador de São Paulo, organizado pela emissora em parceria com o Jornal da Cidade e Associação Paulista de Jornais. Este debate foi transmitido via satélite para todo o Brasil, transmitido pela Rádio e TV Bandeirantes e divulgado na íntegra pelos jornais líderes no Estado de São Paulo. Outro ponto interessante na Bandeirantes foi o programa Câmera Aberta, um talk show com artistas nacionais. Por meio dele, tive a oportunidade de entrevistar grandes nomes da música nacional, como Zezé de Camargo e Luciano, Gilberto Gil e Daniel, de quem me tornei amigo.
JC – Na produtora, o senhor organiza diversas campanhas. Qual é a melhor, a política ou publicitária? Kleber – São duas coisas distintas. Há o marketing político e o marketing eleitoral. No primeiro caso, o político, administrador ou detentor de cargo público prepara ações de forma geral que vão formando a imagem do candidato. Já a campanha política eleitoral, ou horário eleitoral, é uma forma do candidato transmitir de forma clara suas propostas para a cidade. Por isto o horário eleitoral é uma importante ferramenta da democracia. Eu gosto de fazer porque, desta forma, estou fazendo parte de um processo muito importante da comunicação, o do fortalecimento das ações democráticas. Já na publicidade, o trabalho também é muito interessante porque envolve um processo criativo. Hoje os produtos são semelhantes e o ingrediente criatividade é essencial. Não se vende o produto, mas seu conceito, o que está agregado ao produto. E a indústria, o comércio e o empresariado estão em uma fase de grande amadurecimento, buscando não apenas o lucro, como também participar da sociedade. As novidades da comunicação nunca foram tão efervescentes como agora e isto nos faz aprender a cada dia, o que é extremamente gratificante.
JC – O cinema é outra atividade que o atrai? Kléber – Estamos fazendo películas, de 85 e 16 milímetros. Fui contratado pela Warner como diretor de média-metragem. Eu dirigi o videoclipe do cantor Daniel. Isto é uma coisa que gosto muito, mas dirigir filme é bem diferente e mais trabalhoso. É necessário uma equipe de 50 pessoas para produzir um videoclipe em película.
JC – Quais são os mitos que envolvem uma campanha publicitária? Kleber - Muitas vezes é comum se dizer que determinada pessoa ou produto fizeram sucesso de repente. Mas este “de repente” levou, em grande parte das vezes, vários anos. A criação e produção envolvem um trabalho de bastidores, com diversos profissionais multidisciplinares, que atuam desde em uma pesquisa de mercado até às qualidades do produto, que tipo de público ele vai atingir e qual a linguagem mais adequada para falar com este público.
Perfil
Nome: Kleber Santos Profissão: Empresário de comunicação, jornalista e publicitário Idade: 45 anos Local de nascimento: Três Lagoas, Mato Grosso do Sul Estado civil: Casado Filhos: Felipe, 10 anos, e Carolina, 15 anos Hobbies: Música e leitura Livro de cabeceira: “Uma Vida com Propósitos”, de Rick Harren: Estilo de música: instrumental Filme favorito: “O Mentiroso”, comédia com Jim Carrey