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Domingo em Bauru: dia de descanso, tédio ou trabalho

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 7 min

O domingo é universalmente conhecido como o dia do descanso. E é assim desde a criação do mundo. “Havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia”, diz a Bíblia. Ainda no livro de Gênesis, está escrito que Deus abençoou o sétimo dia e o santificou.

No entanto, para muita gente esse sétimo dia não significa necessariamente o domingo. Pode ser a segunda-feira ou qualquer outro dia. São pessoas que trabalham enquanto a maior parte da população está em casa, descansando ou se divertindo. Para estes, o domingo não tem nada ou quase nada de especial. É um dia como qualquer outro.

Para uma parte daqueles que ficam em casa, o domingo além de ser um dia reservado ao descanso e o lazer pode representar também momentos de frustração e depressão. Há quem fuja do Fantástico da Rede Globo só para não ouvir a vinheta do programa. “É um sinal de que o domingo está acabando”, justifica a atendente escolar Priscilla de Oliveira Ferasoli, 26 anos.

Mas para quem trabalha aos domingos, a frustração é outra. É não poder ficar com o restante da família. É não ter como almoçar fora ou fazer qualquer outro programa como a maioria das pessoas. “Eu acho que deveria ser proibido trabalhar no domingo”, opina Doralice dos Anjos Veiga, que trabalha na portaria do Residencial Flamboyant’s.

Mais conhecida pelos moradores como Dora, ela considera o domingo um dia como qualquer outro. Ela trabalha seis dias e folga um. E é muito raro que a folga caia no domingo. Quando isso acontece, o dia passa tão rápido que fica a sensação de que não deu tempo de fazer nada. Isso quando ela não aproveita o dia de folga para pôr a casa em ordem. Aí a descontração passa longe.

“Faz seis anos que eu faço isso (trabalhar aos domingos), e ainda não deu para acostumar”, diz Dora. “É o dia que está todo mundo em casa e a gente também sente vontade de estar com a família”, comenta. Segundo ela, o mesmo sentimento ocorre também nos feriados.

Se existe uma parcela da população, como o funcionário público Robson Vieira Sobrinho, 30 anos, que prefere acordar cedo para aproveitar cada minuto do domingo, tem também quem tira o dia para dormir até tarde, como a atendente escolar Camila Ruiz, 26 anos.

Enquanto Robson acorda por volta das 7h30 para caminhar, ir ao mercado e ler jornal antes do almoço, Camila aproveita o domingo para recarregar a bateria após uma semana inteira de trabalho e depois de uma noite de sábado bem agitada. Normalmente, ela acorda por volta das 13h. O café da manhã é o almoço. Depois que matou a fome, Camila volta para a cama para mais um cochilo. Quando está sem sono, aproveita para navegar pela Internet, já que a TV não lhe atrai. “Amo o domingo e odeio a TV”, afirma.

O pouco do domingo que lhe resta ela usa para ir à missa à noite, para dar uma volta pela cidade e retornar para casa. Afinal de contas, a segunda-feira já está chegando.

Com hábitos mais caseiros, a jovem Priscilla não tem o costume de sair para as baladas de sábado à noite. Prefere assistir a um filme em casa na companhia do namorado. “Adoro rotina e o domingo para mim é quase sempre igual”, conta ela.

Uma das atividades que fazem parte de sua agenda dominical é a caminhada no Jardim Botânico no domingo de manhã. Depois disso, vem o almoço com a família, o cochilo, que ela classifica como “sagrado”, um filme na TV, Faustão e antes de começar o Fantástico, muda de canal. “Toda vez que eu escuto a vinheta do Fantástico fico triste porque sei que o domingo está acabando”, revela Priscilla. “Prefiro assistir ao Pânico na TV, que não tem cara de fim de domingo e é mais descontraído”, diz.

Até o próximo domingo

A angústia que o fim de tarde do domingo provoca em algumas pessoas pode ter pelo menos dois motivos, segundo a psicóloga Julia Verônica Hernandez.

Na avaliação dela, às vezes as pessoas pensam em fazer tanta coisa no fim de semana, mas o tempo não é suficiente para atender a todas as expectativas. E isso causa uma sensação de frustração, quando o domingo está terminando. Há também aqueles que ficam deprimidos porque o que o espera na segunda-feira vai exigir uma carga de sacrifício físico ou mental, que só de pensar já desanima.

“A forma como cada pessoa encara o domingo varia muito. Não dá para generalizar”, pondera a psicóloga. No entanto, ela reconhece que algumas pessoas parecem entrar em uma espécie de depressão quando o domingo chega ao fim. Mas, uma vez iniciada a semana, essa sensação desaparece. A rotina volta ao normal e a pessoa começa a pensar novamente no próximo fim de semana.

Segundo Julia, é interessante notar como as pessoas tendem a dar um significado diferente para cada dia. Enquanto a segunda é um fardo pesado para uns, ela pode ser o dia de descanso para outros.

A quarta-feira significa que metade da semana já passou. A quinta é véspera de sexta e na sexta é quando as pessoas estão mais relaxadas, aguardando com ansiedade a chegada de mais um fim de semana.

Para evitar o estresse do fim de domingo, a psicóloga dá uma dica. “É importante que a pessoa defina o que ela espera do fim de semana.” Mas para os planos não acabarem em mais frustrações, Julia recomenda não criar expectativas além do que é possível realizar em dois dias ou apenas no domingo. (AC)

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Cidade tem opções variadas de lazer

Enquanto a segunda-feira não chega, o bauruense pode aproveitar o domingo de diversas formas. Desde que a pessoa não faça questão de ficar o dia todo em casa, é possível recobrar o ânimo já nas primeiras horas do dia.

Pode ser uma caminhada no Jardim Botânico como faz todos os domingos a atendente escolar Priscilla de Oliveira Ferasoli, 26 anos, ou um passeio pelas feiras livres da cidade, onde é possível comer o tradicional “pastel da feira”.

Quem prefere um ambiente mais sossegado, em contato com a natureza, pode optar, além do Jardim Botânico, pelo zoológico, pelos bosques comunitários, pesqueiros, entre outras alternativas. Nesses locais dá para passar o dia ou uma boa parte dele, entre uma fisgada e outra, um churrasquinho, um piquenique e passeios por entre as jaulas dos animais.

Quem prefere ficar na cidade, pode aproveitar o domingo para ir ao supermercado e Bauru tem muitas e boas opções. Para algumas pessoas, esse acaba sendo o único dia que elas têm disponível para fazer compras com tempo suficiente para pesquisar os melhores preços e produtos. A obrigação acaba virando uma opção de lazer.

Mergulho

Os clubes da cidade também têm suas atrações, ainda mais nesses dias quentes, quando um mergulho na piscina ou simplesmente um novo bronzeado é sinônimo de bem-estar e relaxamento.

A programação do Sesc, por exemplo, oferece atividades que são abertas ao público em geral. Ou seja, não é preciso ser associado para participar. Tem as oficinas infantis e o teatro de bonecos para as crianças. Tem também o Descontrasom, todos os domingos, às 16h, destinado ao público jovem.

Ir ao shopping ou ao cinema também são dois programas bastante comuns para quem trabalha a semana toda. Aqueles que preferem assistir a um filme têm opções desde o começo da tarde até à noite.

Mas poucas coisas são tão bem relacionadas com o domingo do que uma partida de futebol. Seja um jogo entre amigos ou mesmo um campeonato de várzea. Para muitos, domingo sem futebol não é domingo. Com a boa fase do Noroeste, ir ao Estádio Alfredo de Castilho em dia de jogo virou uma alternativa de lazer. (AC)

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