Regional

Araçatuba já enfrenta a migração da mão-de-obra

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 1 min

Em regiões pecuaristas como Presidente Prudente e Araçatuba, a migração para a cana-de-açúcar está mais evidente do que nas regiões de Bauru e Botucatu. “Lá, 80% das terras eram usadas pela pecuária, hoje está virando tudo cana”, informa o zootecnista Mário Coelho Aguiar, proprietário de uma empresa de consultoria em Botucatu.

O zootecnista avalia que a paisagem ‘deserto verde’ acaba sendo negativa para as cidades ao redor. “Na região de Ribeirão Preto é só cana. Isso significa que a mão-de-obra está concentrada no corte da cana e nas usinas. Em outras culturas, as pessoas ocupam outras funções”, diz.

A migração da mão-de-obra do campo para a cidade é outro item que não deve ser esquecido, segundo o especialista. “Para cortar cana, essa pessoa muda para a cidade. Só tem trabalho na safra, que dura em média seis meses. Na cidade, o salário dele não vai suprir as necessidades e os bolsões de pobreza vão aparecer”, prevê.

A vantagem de morar na área rural, de acordo com o zootecnista, é que o funcionário não paga aluguel, tem sua horta e só vai uma vez por mês na cidade. Tem mais qualidade de vida. “Na zona urbana, ele terá despesas extras que seu salário não cobrirá. As necessidades passam a ser outras, uma vez que seus filhos irão conviver com os apelos consumistas.”

Os países ricos, segundo ele, subsidiam a pessoa que vive no campo para evitar a geração de problemas sociais nas cidades. (RCC)

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