Brasília - A pouco mais de um mês da eleições, os chamados ministros políticos do governo turbinaram suas atividades de campanha, geralmente focada na corrida para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao percorrer todo o País em viagens abertamente eleitorais ou às vezes camuflada com agenda oficial, os titulares das pastas atuam no limite permitido pelas normas ditadas pela Comissão de Ética Pública da Presidência.
A estratégia de campanha dos ministros envolve subida em palanques, corpo-a-corpo com eleitores, participação em programas eleitorais no rádio e na TV, entrevistas à imprensa, anúncio de pacotes de benefícios para diferentes setores e viagens oficiais para encontros com federações e sindicatos. Além das restrições previstas em lei para evitar abuso de poder e uso da máquina administrativa, há preocupações com conflito ético.
Em 2002, a comissão de ética elaborou regras para impedir prejuízo público nessas atividades e permitir denúncias, mas o órgão não tem poder de fiscalização. “Nosso papel é preventivo e pedagógico. Há os mandamentos para que haja uma boa conduta’’, diz o presidente da comissão, o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, 74.
Na prática, as regras éticas são de difícil aplicação. É difícil averiguar, por exemplo, se o ministro só faz campanha fora do expediente -à noite ou no final de semana. Cada ministro tem um perfil de campanha. No Planalto, por exemplo, Luiz Dulci (Secretaria-Geral) segue o presidente em viagens oficiais e de campanha. Atua como uma espécie de ponte entre o governo e o PT e ajuda Lula a definir o tom de seus discursos. Dulci sobe em palanques, vai a plenárias e participa de caminhadas.
Em agosto, esteve em 13 eventos de campanha, em cinco Estados. Também companheiro de viagem de Lula, Tarso Genro (Relações Institucionais) é coordenador político do governo e uma espécie de porta-voz do presidente. A qualquer ataque da oposição, responde prontamente. No final de julho, Lula mandou Paulo Bernardo (Planejamento) e Dilma Rousseff (Casa Civil) a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul para que anunciassem recursos aos Estados na véspera da passagem da campanha petista por Porto Alegre e Florianópolis. Desde julho, a agenda de ministro de Paulo Bernardo já registrou oito compromissos no Paraná. Já Dilma, no Rio Grande do Sul, gravou mensagens de apoio a candidatos petistas e acompanhou o presidente em dois eventos.
Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) também atua na base mineira. Aproveita seus finais de semana em Belo Horizonte, para onde geralmente viaja às sextas, para fazer reuniões ou participar de comícios. Marina Silva (Meio Ambiente) tirou uma semana de férias - de 14 a 20 de agosto - para fazer campanha intensiva pelo PT no Acre. Walfrido Mares Guia (Turismo) é outro que deve entrar em férias para ajudar Lula antes do primeiro turno. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, passou uma semana inteira viajando entre Bahia, São Paulo, Rio e Paraná para compromissos oficiais. Em Curitiba chegou a ser cobrado porque sua viagem foi anunciada pela campanha petista. No último dia 10, o ministro Guido Mantega (Fazenda) viajou para Porto Alegre para ouvir demandas de empresários gaúchos. Nesta semana, deverá se encontrar com líderes empresariais mineiros.
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, manteve nos últimos 30 dias um intenso ritmo de viagens pelo país, com variados destinos: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Ceará e Sergipe. Apesar de o governo pregar a divulgação pública das agendas, menos de um terço dos ministérios o fazem. Acompanhar a divisão entre ministro e cabo eleitoral é mais difícil ainda. (Folhapress)