Tribuna do Leitor

LEISHMANIOSE - ALERTA TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS

Luci Neide de Castro Moura e Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Nós, que somos amantes de cães em geral, mas muito particularmente dos nossos bichos de estimação, estamos tristes, preocupados, assustados mesmo, diante do avanço da terrível leishmaniose canina em nossa cidade. Ainda outro dia, estarreceu-nos a notícia do sacrifício de uma cadela lindíssima, da raça rott-weiller, em nossa rua, a Aviador Marques de Pinedo, no bairro Jardim América.

Infelizmente, a ocorrência desta triste doença expõe a situação caótica de falta de atitude, em nossa cidade, por parte dos governantes, no que diz respeito a limpeza, preservação de áreas de lazer, conservação de terrenos, coleta de lixo, asfalto, etc. É triste constatar a diferença de Bauru de cerca de 10 a 15 anos atrás. Hoje, é uma cidade absolutamente suja e abandonada.

Tendo em vista este caos urbano, e pensando na saúde de nossos queridos amigos caninos, acreditamos que devemos, cada um de nós, fazer a nossa parte para preservar a limpeza dos nossos quintais, do nosso bairro, da rua em que habitamos. Não devemos ficar esperando isso das autoridades. Se cada um cuidasse ao menos de sua quadra, o aspecto da cidade seria totalmente diferente.

Talvez ainda algumas pessoas não saibam que a leishmaniose é uma doença transmitida pelo mosquito palha, e afeta tanto o cão como o ser humano. Existe cura para o homem e para o animal, mas em nossa cidade apenas o ser humano é tratado; não se acredita na cura para o animal, devido a ser tratamento longo e difícil. O mais fácil, e é o que tem ocorrido com grande freqüência, é partir para a eutanásia do animal. E nenhum de nós vai querer perder seu bicho de estimação desta forma, não é verdade?

Devemos evitar a todo custo a proliferação do tal mosquito palha. É o único caminho para que essa doença desapareça. Como fazer isso de alguma forma, já que as autoridades não o fazem? O tal mosquito se prolifera em locais úmidos, onde haja acúmulo de folhas de árvores, pedaços de madeira, e sobre materiais orgânicos, ou seja, lixo jogado em terrenos, com restos de comida, e fezes de animais que ficam nas ruas e calçadas. Quanto mais lixo orgânico acumulado em terrenos, quanto mais fezes de animais largadas a céu aberto, mais o mosquito palha vai se multiplicar em nosso meio.

Não há como evitar as fezes dos animais errantes, abandonados à própria sorte, a não ser limparmos nossas calçadas. Mas, quanto aos nossos próprios cães, que apreciamos levar às ruas para que façam suas necessidades, torna-se obrigatório que sejamos responsáveis por recolher com saquinhos plásticos os dejetos que eles produzirem. Se sabemos do perigo que fezes largadas representam, podemos até ser egoístas e não pensar nos pobres animais andarilhos, que ficam constantemente expostos à ação do mosquito que transmite a doença; mas, ao menos, pensemos em nossos próprios cães, que ficam, da mesma forma, passíveis de contrair o mal. Se nossos animais são vacinados e não correm risco, não devemos nos acomodar na situação: não recolhendo as fezes que eles produzem estamos dando grande demonstração de egoísmo, além de falta de conhecimento: se nossos cães estão protegidos, nós mesmos não estamos e, portanto, nos expomos constantemente ao ataque do mosquito palha.

Paremos um pouquinho para pensar, façamos um exame de consciência: será que é justo tirarmos nosso animal de casa para deixar sua sujeira em calçadas alheias, ou mesmo em calçadas que estão de frente a terrenos ainda não habitados, e onde pessoas circulam o tempo todo? Será que é agradável o aspecto de montes de fezes coalhando ruas e calçadas? Será que estamos dando bons exemplos, estamos demonstrando civilidade, solidariedade, respeito ao próximo, amor a nós mesmos, amor pelo nosso fiel companheiro de estimação? Somos o único animal racional deste planeta. Temos, portanto, o discernimento para agirmos com correção. Se não tínhamos o conhecimento necessário para mudarmos de atitude, agora o temos. Este recado tem o único objetivo de apelar para o bom senso e alertar para boas atitudes. Façamos nossa parte, para que nossa rua seja, em toda a sua extensão, limpa e agradável para se viver. Respeitemos para sermos respeitados. (Luci Neide de Castro Moura e Silva - RG 4.399.701-6)

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