Política

‘Campanha vai estruturar PSOL’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Ao contrário do professor Isaías Daiben, que disputa uma vaga na Assembléia Legislativa pelo PSOL, o advogado João Bráulio concorre para deputado federal, mas sem expectativas de superar nomes mais conhecidos da política local. Para ele, o fundamental nas eleições de outubro é ajudar o partido a ultrapassar a cláusula de barreira – que obriga os partidos a obterem 5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados – e estruturar a legenda em Bauru e Região. “Precisamos dar a estrutura necessária do partido na cidade, juntamente com outros membros do partido no Estado de São Paulo”, disse. Disputando uma eleição pela primeira vez, Bráulio deixa claro que não tem maiores pretensões políticas, mas afirma estar animado por conta da pesquisa que apontam a senadora Heloísa Helena em terceiro lugar na corrida presidencial, com 11% das intenções de voto. “Nós temos uma esperança de colar a imagem da Heloísa Helena à imagem dos candidatos a deputado federal e estadual do PSOL. Se conseguirmos fazer isso, nós acreditamos numa possibilidade”, frisou. O candidato também destaca que o PSOL possui dois deputados federais com possibilidades de chegada (Orlando Fantazini e Ivan Valente), que poderiam “carregar” mais um ou dois candidatos com eles. “Nós reconhecemos que é complicado conseguir uma vaga na Câmara dos Deputados, mas a proposta não é apenas eleger um deputado e ajudar o partido a alcançar a cláusula de barreira, mas colocar o PSOL no cenário político de Bauru e região”, salientou.

Vocação

Para o advogado João Bráulio, falta a Bauru definir uma vocação. Seguindo ele, identificar essa vocação não significa que a cidade ficará voltada apenas para um ponto, mas dentro da diversidade do município, estabelecer qual atividade é prioritária. “Essa discussão da vocação é sempre relegada a segundo plano”, ressaltou. Ele cita como exemplo a construção do novo aeroporto, na divisa com Arealva. “O aeroporto está sendo construído para atender a uma vocação do município, ou está sendo construído para que o município, num segundo momento, usufrua do que possa proporcionar o aeroporto”, ressaltou Dentro dessas discussões sobre a vocação da cidade, Bráulio defende que os eleitores também se conscientizem da necessidade que Bauru tem de ter um representante na Câmara dos Deputados. “O último deputado federal da cidade foi eleito, majoritariamente, com votos de Bauru, ao contrário de deputados que têm votos pulverizados por todo o Estado”, disse, referindo-se ao prefeito Tuga Angerami (sem partido), que foi o último deputado federal de Bauru.

Propostas

De acordo com João Bráulio, a atuação do deputado federal deve ser mais que fazer emendas para obter recursos para o município, mas participar das discussões sobre o que é importante e ajudar a elaborar projetos para a utilização desses recursos. “Não é só ficar nesse raciocínio simplório de propor emenda para trazer dinheiro. Dinheiro para quê? Isso é falar o óbvio”, salientou. Para o candidato, o importante não é número de projetos que serão apresentados na Câmara, mas a qualidade desses projetos. “O que se vê hoje é só a questão numérica, não há qualidade. O trabalho na Câmara tem que ser de resultados. Não interessa que se apresente tantos projetos, tantas emendas e não saber para onde vai tudo isso”, afirmou. Bráulio se propõe a fazer reuniões periódicas com autoridades de Bauru e região, para saber quais são os principais gargalos dos municípios e poder estabelecer uma linha de trabalho, tendo como base esses problemas que forem relacionados por prefeitos e vereadores. “Vamos fazer isso, mas mantendo a linha ideológica que a Frente de Esquerda propõe. Ou seja, não só ver as necessidades das cidades, mas adequá-las às nossas propostas político-partidárias”, frisou. Entretanto, o advogado destaca que seguir a linha ideológica do partido não significa fechar as portas para propostas de outras legendas. “Havendo consenso, sim. Vamos trazer o benefício para a comunidade, não para o partido ou para o deputado. Vamos seguir a linha ideológica e cuidar das necessidades das cidades com muito diálogo com outras forças políticas”, salientou.

Diferenças

Apesar de compor, com PSTU e PCB, a Frente de Esquerda, o PSOL não pretende ficar à margem do cenário político, atuando apenas como partidos ideológicos, sem pretensões eleitorais, como fazem os aliados da Frente. De acordo com João Bráulio, a intenção do PSOL é obter votação para ocupar cargos eletivos. Contudo, o advogado afirma que o PSTU também busca uma mudança de postura com relação a eleições. De acordo com Bráulio, os partidos que compõem a Frente de Esquerda estão cientes da necessidade de se manterem no cenário político nacional, estadual e municipal, por isso a necessidade de disputar eleições para vencer. “Nós acreditamos que o PSTU e o PCB também queiram se manter no cenário e ocupar cargos eletivos, assim como o PSOL”, comentou.

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