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Bin Laden não está na lista do FBI

Folhapress
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Nova York - O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Ossama Bin Laden, é há muito tempo o homem mais procurado dos Estados Unidos por sua suposta participação nos atentados de 1998, quando a embaixada americana no Quênia foi alvo de um forte ataque. Apesar disso, não consta de sua ficha nenhuma acusação pelo 11 de Setembro - considerado o pior atentado terrorista da história dos EUA.

À época dos ataques do 11 de setembro de 2001 -quando aviões comandados por seqüestradores atingiram as torres gêmeas do World Trade Center (WTC), em Nova York, e o Pentágono, nas cercanias de Washington, matando cerca de 3 mil pessoas, Bin Laden assumiu a autoria da ação em várias ocasiões em gravações de áudio e vídeo, e lançou novas ameaças.

Bin Laden entrou para a lista dos mais procurados em junho de 1999, após ter sido acusado de homicídio, conspiração e outros crimes relacionados aos atentados a embaixadas na África.

Naquela ocasião, foram oferecidos US$ 5 milhões por sua captura, valor que aumentou para US$ 25 milhões depois de 11 de Setembro. A curiosa omissão foi publicada ontem pelo jornal “Washington Post”, citando decisão do Ministério da Justiça dos EUA que nega a requisição de acusações contra o líder da Al-Qaeda ao 11 de Setembro. Na ficha de Bin Laden consta apenas que ele é procurado como “suspeito de outros atentados em todo o mundo”.

Segundo declarações de FBI (polícia federal dos EUA), é prática da segurança americana tomar como base apenas acusações já existentes nas fichas que acompanham a lista dos mais procurados. “Não há nenhum mistério”, disse Rex Tumba, porta voz do FBI. “Eles (a Justiça) poderiam acrescentar o 11 de Setembro aos crimes atribuídos a Bin Laden, mas não têm porquê fazer isso neste momento... Há uma lógica nisto”, acrescentou.

David N. Kelley, ex-procurador de Nova York que conduziu investigações quando Bin Laden foi acusado de ordenar o ataque à embaixada americana em 98, disse não estar surpreso com a falta de citação a Bin Laden por responsabilidade no 11/9.

Kelley disse que a assunto envolve problemas de restrição legal e necessidade de justiça para todos os acusados. “Pode parecer estranho para quem vê de fora, mas faz sentido do ponto de vista legal”, disse.

“Se eu (ainda) atuasse no governo, ficaria preocupado se alguém me pedisse para expor uma pessoa como procurada caso nenhuma ligação oficial com terrorismo tivesse sido mencionada, independentemente de quem fosse”, acrescentou Kelley.

O FBI mantém uma outra lista, dos terroristas mais procurados, que inclui Bin Laden e outros 25 nomes, todos suspeitos de conexão com o terrorismo. Apesar disso, esta segunda também não faz menção ao 11 de Setembro.

As acusações que constam das listas dos mais procurados permitem que suspeitos sejam detidos e levados à Justiça, de acordo com uma nota que acompanha o site do FBI.

“Acusações futuras podem ser acrescentadas à lista, depois que investigações comprovarem possível ligação com outros incidentes terroristas, como o 11 de Setembro”, acrescenta o comunicado.

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